Após seis meses de investigação, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil (PC), desarticulou ontem uma organização criminosa suspeita de roubar ou furtar pelo menos 10 agências bancárias, localizadas em Mato Grosso. O soldado da Polícia Militar (PM), Emanuel da Silva Souza, de Poconé (100 quilômetros, ao sul de Cuiabá), é apontado como um dos integrantes da quadrilha, que se intitulava de “família”.
Apenas nesses seis meses, os bandidos, que ostentavam nas redes sociais o resultado de seus ataques criminosos, conseguiram causar um prejuízo de R$ 5 milhões. Das 17 prisões previstas, até o fim da manhã de ontem, ainda faltavam cumprir outras quatro. Dois dos foragidos estavam com uma maleta, que conforme informações da PC, contem um dispositivo que desligam os sistemas de seguranças dos bancos.
Entre os presos, estão Marcus Vinícius Fraga Soares, vulgo “Pato”, Gilberto Silva Brasil, “o Beto”, ambos apontados como líderes do bando, Cleyton Cesar Ferreira, Thassiana de Oliveira, que é esposa do Cleyton, Júnior Alves, Elvis de Arruda, Diego Silva, Hian Oliveira, Kaio da Silva, Daynei Aparecido da Costa (Playboy), Lubia Camilia Pinheiro e Marcelo Alberto dos Santos.
O PM Emanuel da Silva foi preso em Poconé. Ele atuava no monitoramento da polícia da região no momento em que os crimes acorriam. Ficava a cargo de Emanuel atrasar as equipes da PM, caso as autoridades tentassem frustrar a ação do bando. A PM informou que abriu procedimento para apurar o envolvimento do policial na quadrilha.
Ainda encontravam-se foragidos Jurandir Benedito da Silva, vulgo “Jura”, Augusto Cesar Ribeiro, chamado de “Gordão”, Robson Antônio Passos, vulgo “Robsinho”, e Juliyender Borges, o Juju ou Gera. “Já temos a localização deles”, informou o delegado Luiz Henrique Damasceno. A maioria reside na região do Grande CPA.
Conforme o delegado Diego Santana, alguns dos alvos da operação Luxus tiveram mais de um mandado de prisão decretados pela 7ª Vara Criminal e também pela Vara Criminal da comarca de Poconé, em três inquéritos, sendo o primeiro referente ao roubo ao Banco do Brasil, da Avenida Pernambuco, no bairro Morada da Serra II, ocorrido em 13 de novembro de 2016.
Já o segundo, referente ao furto qualificado ao Banco do Brasil de Poconé, ocorrido no dia 5 de fevereiro deste ano, e, o terceiro inquérito, que o crime de organização criminosa.
Segundo Santana, os bandidos promoviam a quebra da parede e o desligamento do alarme de bancos da capital e do interior. Uma vez dentro subtraiam valores dos cofres. As ações foram praticadas, geralmente, aos finais de semana, deixando um rastro de destruição nas instalações físicas das agências e a população sem os serviços bancários.
Conforme Damasceno, a operação leva o nome "Luxus", em razão da ostentação dos membros nas redes sociais, com fotos e vídeos de viagens de luxo, veículos importados e passeios suntuosos. “Eles não exerciam nenhum trabalho lícito e não faziam a menor questão de esconderem a ‘saúde’ financeira advinda das práticas espúrias”, informou.
O grupo costumava viajar e gastar até R$ 200 mil com passeios em helicópteros. Além de equipamentos usados para os roubos, como maçaricos, a polícia apreendeu carros e diversas folhas de cheques.
As ordens de prisão seguidas de busca e apreensão foram cumpridas por equipes de mais de 70 policiais civis, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Poconé. A ação também contou com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Autor: Redação AMZ Noticias