Pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, Portugal e Espanha definiram o colonialismo da América Latina. A área agora mato-grossense pertencia aos espanhóis, que cuidaram de ocupar o centro do continente com as bênçãos de missões católicas. Porém, a corrida do ouro e a captura de índios para a escravatura expandiram a fronteira Oeste do Brasil Colônia.
Assim, em 9 de maio de 1748 a Coroa criou a Capitania de Mato Grosso desmembrando-a de São Paulo. Transcorridos 269 anos daquele ato, com a ocupação do vazio demográfico surgiu um Estado com baixa densidade demográfica, boa qualidade de vida, formado por 141 cidades sendo que 109 têm menos de 40 anos e que ocupa lugar de destaque na política de segurança alimentar mundial por ser grande produtor de grãos, fibras, carnes e óleos vegetais.
Nos primórdios de sua colonização Mato Grosso deu duas grandes contribuições ao Brasil: expandiu a fronteira Oeste e assegurou sua territorialidade com a atuação de seus combatentes no maior conflito bélico do continente: a guerra com o Paraguai travada entre dezembro de 1864 e março de 1870.
No período dos combates, mas longe deles, nasceu em 5 de maio de 1865, em Mimoso, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que é o Patrono das Comunicações e considerado pela Sociedade Geográfica Americana como o pesquisador que mais penetrou em terras tropicais. Em menor intensidade pelo reduzido número de efetivo, os mato-grossenses enfrentaram o exército nazista na Segunda Guerra Mundial, onde morreu o sargento Luiz Geraldo da Silva, que empresta seu nome ao estádio municipal de Cáceres, o Geraldão.
Por duas vezes o Brasil elegeu presidente mato-grossense. Em 1945 o marechal Eurico Gaspar Dutra assumiu a Presidência. Em 1960 Jânio Quadros conquistou o poder. Dutra era cuiabano. Jânio nasceu em Campo Grande, que mais tarde seria capital de Mato Grosso do Sul, área desmembrada de Mato Grosso.
A área primitiva de Mato Grosso era de 1,498 milhão de km², mas foi reduzida para 903 mil km² com o desmembramento de Rondônia e Mato Grosso. Sua população é de 3.035.122 habitantes com densidade demográfica 3,36 habitantes por quilômetro quadrados. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,725 numa escala de zero a um. A renda per capita mensal é de R$ 1.139. O Produto Interno Bruto (PIB) alcança R$ 101,2 bilhões.
Dos 141 municípios 109 têm menos de 40 anos, sendo que Itanhangá e Ipiranga do Norte foram instalados em janeiro de 2005. Cuiabá tem a maior população, 585 mil, seguido por Várzea Grande com 271 mil, Rondonópolis com 219 mil, Sinop com 132 mil, Tangará da Serra com 96 mil, Cáceres com 90 mil e Sorriso com 82 mil. A maior parte das cidades tem menos de 20 mil habitantes e a menor é Araguainha, com 953.
Nas reservas indígenas e em cidades Mato Grosso tem 43 mil indivíduos Xavante, Bororo, Ikpeng, Karajá, Zoró, Cinta Larga, Txucarramãe, Menkragnoti, Enawenê-Nawê, Negarotê, Terena, Juruna, Suyá, Yawalapiti, Mehinako, Trumai, Nahukuá, Umutina, Paresi e de outras etnias.
Mato Grosso responde por 25% da safra nacional sendo que sua produção de algodão supera 65% das plumas colhidas no país. O rebanho bovino com 30 milhões de cabeças é o maior do Brasil. O Estado se destaca também na abate bovino, de frangos e suínos; na produção de biodiesel, álcool e açúcar; e sua geração de energia tem excedente exportável. O agronegócio é a principal atividade econômica e suas raízes remontam ao começo da década de 1970.
A localização geográfica no centro do continente exige permanente expansão e modernização da logística de escoamento da safra mato-grossense.
A Ferrovia da Rumo ALL que liga o Estado ao porto de Santos tem seu ponto mais ao norte em Rondonópolis. Rumo norte a BR-163 liga Cuiabá a Santarém (PA) e tem um trecho de quase 200 quilômetros sem pavimentação do lado paraense; na direção sul essa via faz a ligação com o porto de Paranaguá (PR).
O Chapadão do Parecis utiliza a BR-364 para transportar parte de sua safra para Porto Velho (RO), de onde segue embarcada pela Hidrovia Madeira-Amazonas até Itacoatiara (AM).
A Hidrovia do Mercosul tem seu porto mais ao norte em Cáceres e seus comboios navegam até Nueva Palmira, no Uruguai.
A conclusão da pavimentação da BR-163 e da BR-158 no Vale do Araguaia, juntamente com a duplicação do trecho da BR-364/163 entre Rondonópolis e Sinop são as principais demandas do transporte rodoviário mato-grossense, mas há outra, também importante, que é a expansão da malha ferroviária.
O transporte aéreo é modesto. O principal portão de entrada no Estado é o Aeroporto Marechal Rondon, no aglomerado urbano de Cuiabá. Voos regionais são operados nos aeroportos em Rondonópolis, Alta Floresta, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Juína e outras cidades. Mato Grosso tem a maior frota da aviação agrícola nacional.
GARGALOS – A saúde é o principal gargalo de Mato Grosso, que tem apenas sete hospitais regionais como referência em medicina de média e alta complexidade. Nas pequenas e médias cidades pacientes são transportados de ambulâncias para atendimento em hospitais distantes até 500 quilômetros.
O saneamento é o grande desafio mato-grossense. Nenhum município trata todo seu esgoto e a maioria o faz em índices bem baixos. Nem o Estado nem o município têm recursos para executar as obras necessárias. Somem-se a isso que quase todas as prefeituras não conseguem tratar o lixo adequadamente, como acontece em Lucas do Rio Verde.
A balbúrdia agrária é uma realidade que o governo tenta reverter com programas de regularização fundiária nas áreas rurais e zonas urbanas. Esse cenário também se aplica nos assentamentos da reforma agrária, que não conseguem emancipação plena.
Com uma fronteira seca de 730 quilômetros e que incluindo a área alagada chega a quase mil quilômetros de extensão com a Bolívia, país que é um dos grandes produtores de cocaína, Mato Grosso se vê enrodilhado pelo crime organizado, que se instalou no Estado, que antes era utilizado apenas como passagem da droga rumo aos mercados brasileiro e internacional. Essa situação é considerada pelas autoridades da segurança como o principal fator para o alto índice de violência em Cuiabá e em outros municípios.
Autor: Eduardo Gomes com Diario de Cuiaba