Enquanto a atenção do país está voltada para a questão previdenciária, através da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que propõe a alteração do regime de aposentadorias e benefícios pagos pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que tramita no Congresso Nacional, concomitantemente ganha força a Reforma Política, através do voto em lista fechada que acabará dando maiores poderes a caciques partidários e seus apaniguados.
Por outro lado, os eleitores votariam apenas no partido e não mais em candidatos individuais.
Enquanto as operações de combate à corrupção, através das forças-tarefa implementadas pelo Ministério Público Federal (MPF), Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal, tentam fazer uma depuração nas instituições que apresentam pessoas envolvidas em ato de corrupção pelo país, através de ações, coercitivas, punitivas e por ai vai, políticos carreiristas, querendo salvaguardar suas peles, e se perpetuarem no poder, abrem discussão para a implementação da Reforma Política, através do voto em lista fechada.
O idealizador da Reforma Política é o presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMBD-CE), este, se reuniu com o presidente da República Michel Temer (PMDB-SP), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e colocaram em discussão a reforma política e mudanças na legislação eleitoral.
A arregimentação de poderes, como acima citado, acaba na verdade mascarando a realidade dos fatos, uma vez que as explicações ou tentativas de explicações, acabam na verdade, camuflando uma triste realidade, com relação à utilização de lista fechada, nas eleições como propõem estes senhores para 2018, com lista pré-ordenada, na qual os integrantes do partido teriam preferência.
Outra mudança proposta é sobre o custeio das campanhas. Caso esta proposta seja aprovada, o dinheiro público é que vai financiar um novo fundo com mais de R$ 2 bilhões; dinheiro este, que poderia ser investido em saúde, educação, saneamento básico e por ai vai.
Outra aberração diz respeito às candidaturas simultâneas, na qual o candidato pode concorrer a um cargo majoritário de governador, por exemplo, e ao mesmo tempo entrar na lista fechada dos deputados, isso é uma vergonha, é chamar a população e eleitores de idiotas.
Caso esse modelo seja adotado em nosso país, por certo, estaremos caminhando na contramão da história, uma vez que, os países que adotaram lista fechada são países com governos autoritários, a exemplo, a Rússia, tem nível de corrupção elevado se mantendo na 131º posição, enquanto a Turquia está na 75º posição.
Pare o mundo, quero descer!
Licio Antonio Malheiros é geógrafo e articulista em Mato Grosso
Autor: Licio Antonio Malheiros