A Polícia Civil de Mato Grosso investigou e grampeou, com autorização da Justiça, Tatiana Sangalli, suposta ex-amante de Paulo Taques, ex-secretário de Estado Chefe da Casa Civil. Ela também foi interceptada ilegalmente pela Polícia Militar, por meio de um esquema conhecido como "barriga de aluguel".
O portal MidiaNews teve acesso à investigação da Polícia Civil, batizada de Operação Querubin, que começou em 25 de março de 2015, quando o delegado Flávio Henrique Stringueta, então titular da GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado) relatou, em uma portaria, que recebeu uma ligação anônima de um telefone público (65-3685-1635), em seu aparelho celular funcional.
O denunciante relatou "fatos sérios que poderiam envolver o governador Pedro Taques, atribuídos ao comendador João Arcanjo Ribeiro". Segundo o delegado, na ligação, a pessoa disse que Arcanjo estaria arquitetando ações de vingança contra Taques, com o intuito de acabar com a vida dele.
"Dando sentido dúbio a essas palavras, não se sabe se colocando fim à sua vida ou fim ao seu mandato eletivo, ou carreira política", disse o delegado.
Na portaria, o delegado disse que o denunciante lhe falou que pessoas ligadas a Arcanjo mantinham contato com o primeiro escalão do Governo, principalmente com a Casa Civil, onde estaria conseguindo informações privilegiadas para alcançar seus objetivos.
Na ligação, a pessoa afirmou a Stringueta que a filha de Arcanjo, chamada Kelly, se encontrava com frequência com Tatiana Sangalli, ex-funcionária da Sinfra e da Secretaria de Transportes - e que, por sua vez, era amiga de uma funcionária da Casa Civil, chamada Caroline, com quem se encontrava regularmente para buscar informações sobre a rotina e agenda de Paulo Taques e do governador.
O delegado relatou ainda que Tatiana, segundo a denúncia, teria proximidade com José Marcondes Muvuca, adversário histórico e inimigo de Taques, e mantinha um namoro com Fernando Bacarin.
Em seguida, ele determinou o início da investigação, com diligências para se descobrir o local onde fica o telefone público de onde partiu a ligação; quem foram as pessoas que visitaram Arcanjo nos últimos dois anos; além de diligências para levantamento de informações sobre Tatiana Sangalli, Muvuca, Caroline e Kelly.
Grampos e relatório parcial
No dia seguinte, em 26 de março, Stringueta solicitou à juíza Selma Arruda, da Vara de Crime Organizado de Cuiabá, a interceptação de conversas dos telefones de Tatiana, Caroline e Fernando Bacarin.
"Informações que dizem respeito a João Arcanjo Ribeiro, com interesse de vingança contra o governador Pedro Taques, não podem ser desprezadas jamais. É de conhecimento de todos a atuação do governador que levaram Arcanjo ao seu exílio carcerário e à sua derrocada, não sendo de se duvidar que este mantenha grande mágoa contra aquele", escreveu o delegado no pedido.
"E não há outro modo de se chegar à verdade senão pela via da interceptação, pelo menos por ora, pois o que temos são apenas os nomes e telefones das pessoas. Ademais, não podemos demorar a agir, pois não sabemos qual a intenção dos agentes criminosos e riscos que o governador está correndo", relatou.
Após a autorização para as interceptações, a Diretoria de Atividades Especiais da Polícia Civil fez um relatório parcial da operação, datado de 13 de abril de 2015.
O grampo no telefone de Caroline, servidora da Casa Civil, revelou que ela pouco usou o celular, e quando o fez foi para tratar de assuntos ligados ao trabalho.
A interceptação das conversas de Bacarin, feitas em dois celulares, também mostraram que ele "não tratava nada que interessasse à investigação", usando o celular apenas para falar com sua namorada Tatiana. Pouco tempo depois, o namoro terminou e não houve mais contato entre ambos.
Em relação à Tatiana, o relatório preliminar apontou apenas que ela "é bem relacionada no meio político e social" - e citou uma conversa entre ela e Muvuca, sem aparente relevância.
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Autor: Jad Laranjeira com Midia News