Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Casos contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais preocupa a polícia




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Neste ano, pelo menos três casos de violência contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foram registrados em Mato Grosso. Entre as ocorrências, estão dois homicídios e uma agressão contra dois alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Em 2016, foram sete homicídios e dois suicídios, conforme dados consolidados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Os casos preocupam e o andamento das investigações é acompanhado pelo Grupo Estadual Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH), ligado à Sesp. “Independentemente da orientação sexual, são todos cidadãos que integram a nossa sociedade e merecem a garantia de seus direitos. Não podemos permitir que casos como estes passem despercebidos. O GECCH representa a força LGBT junto no Estado e na Segurança Pública. Vamos acompanhar este caso e prestar o suporte a esses jovens que estão visivelmente abalados”, afiançou o secretário do GECCH, major PM Ricardo Bueno.

No país, até o início deste mês, 117 pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foram assassinadas devido à discriminação à orientação sexual – uma a cada 25 horas -, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB). Ontem (17 de maio), foi comemorado o “Dia Internacional de Luta contra a Homofobia”.

Um dos casos registrados neste ano foi o assassinato da travesti Walisson Denis de Carvalho Gonçalves, mas usava o nome de Bianka Gonçalves, morta a tiros, em Primavera do Leste. Já na capital, Wagner Pereira Soares, 26 anos, foi assassinado em uma Rua do bairro Planalto. Ele era homossexual e cumpria pena no regime semiaberto desde que foi condenado da Justiça por tráfico de drogas.

Outro caso recente ocorreu no dia 06 de maio, quando os estudantes da UFMT, Gabriel Araújo, 28 anos, e Vinicyus Andrade, 22, voltavam para casa após uma festa quando decidiram parar para lanchar. Ao descer da moto, em uma lanchonete na região da Avenida Beira Rio, Andrade foi surpreendido com socos e pontapés por um homem que também chegava ao local.

Cinco dias após a agressão, o GECCH e integrantes do colegiado receberam os rapazes para apurar as informações e garantir o apoio no acompanhamento dos fatos. O GECCH é ligado à Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Bueno solicitou ainda que fosse feito um levantamento das imagens das câmeras de videomonitoramento da Sesp para identificar se houve perseguição por parte do agressor. Além de analisar as imagens captadas pelas câmeras de monitoramento da Sesp, também serão solicitadas possíveis gravações feitas pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), a fim de identificar e buscar em qual qualificação de crime o agressor se enquadra.

Segundo a polícia, as vítimas disseram que não conhecem o agressor, e por conta da ação inesperada, não conseguiram identificar o rosto e a placa do veículo do homem que foragiu do local. Além disso, Araújo informou que eles não receberam ajuda no local e ainda foram expulsos do estabelecimento após a agressão.

Ambos não escondem o relacionamento e temem por não saberem quem é o agressor e o que motivou a ação. “Eu desci da moto na frente e fui caminhando em direção ao balcão para fazer o pedido, quando ele alcançou o Gabriel. Não fazia um minuto que havíamos chegado ao local. Não sei quem é essa pessoa e nem por que ela fez isso. Estamos com medo”, disse.

O GECCH acompanha o andamento da investigação feita pela Polícia Civil e pretende auxiliar na apuração com o levantamento de mais informação e com as imagens das câmeras de monitoramento. “Todo conteúdo que conseguirmos será encaminhado à PJC para que seja anexado ao processo de investigação. Assim, pretendemos contribuir com a resolução deste caso e chegar ao autor desta ação criminosa”, afirmou o secretário.

Ontem, o GECCH deu inicio à uma campanha de conscientização dos direitos LGBT e conscientização do respeito à dignidade. Este ano a iniciativa tem como tema “Vocês não estão sozinhos”.

 


Autor: Joanice de Deus com DiariodeCuiaba


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