A cada 2 dias uma criança ou adolescente, de zero a 17 anos, é dada como desaparecida pelos pais ou responsáveis na região metropolitana de Cuiabá.
Este ano, de 1 de janeiro a 24 de maio, já foram registrados 121 ocorrências na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que acompanha histórias deste tipo.
A maioria dos registros envolvem meninas (85). A maioria também reaparece (90). Ainda assim restam, no momento, 31 casos ainda sem solução. Os dados são do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP.
Coordenador do plantão do Conselho Tutelar na capital, Marcivon Nunes afirma que motivo do sumiço quase sempre é fuga de casa, motivada por paixão ou por medo de métodos corretivos muito duros.
Agressões domésticas
Quanto as famílias "que batem muito", o conselheiro Marcivon explica que a tendência é ocorrer a fuga para casa de um amigo e em seguida para o Conselho Tutelar.
"Hoje mesmo tem um guri sob nossos cuidados, a mãe castiga ele demais, está com marcas no corpo", cita Marcivon.
Drogas e Óbitos
Há casos também ligados ao uso de drogas (65%). Alguns caos de desaparecimento terminam em óbito, como o da adolescente de 14 anos que estava desaparecida há 3 dias e foi encontrada morta, dia 9 de março deste ano, em São José do Rio Claro (315 Km a Médio-Norte de Cuiabá).
Dados nacionais desatualizados
No Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, constam apenas 4 casos em Mato Grosso.
Nesta quinta-feira (25), Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) abraça esta causa, justamente por entender que este cadastro é desatualizado e sem resultados efetivos no enfrentamento do problema.
O CFM lançou um abaixo-assinado cobrando a efetivação do cadastro. Quem quiser assinar pode acessá-lo aqui.
De acordo com o CFM, no Brasil, cerca de 50 mil menores de 18 anos desaparecem todos os anos. Número bem acima dos 369 casos remanescentes em 20 estados que aparecem no cadastro.
“Há um percentual expressivo de desaparecidos que não é encontrado. Indícios sugerem que esses meninos e essas meninas se tornam vítimas do trabalho escravo, submetidos à exploração sexual, adoções ilegais, entre outras formas de violação de direitos e de degradação do respeito à dignidade humana. Precisamos de ferramentas para localizá-los”, afirma o presidente do CFM, Carlos Vital.
A médica Maria de Fátima, presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), ressalta que o médico é um possível identificador de violação de direitos de crianças e adolescentes em geral, porque os atende em consultórios, seja na saúde privada ou pública."Por isso abraçamos essa causa", explica a presidente.
A presidente e fundadora da Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida, mais conhecida como Mães da Sé, Ivanise Esperidião, considera “uma vergonha” o país contar com um cadastro nacional de veículos roubados ativo e não ter atualizado o de pessoas: “O problema do desaparecimento é tratado com abandono”.
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Telefone da DHPP - Núcleo de Desaparecidos: (65) 3901-4823.
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Autor: Keka Werneck com Gazeta Digital