O segmento agropecuário de Mato Grosso deu início a uma ofensiva no governo federal para tentar conter o monopólio dos grandes frigoríficos, buscar soluções para garantir a livre concorrência no setor e evitar a falência das pequenas e médias agroindústrias e o desemprego no setor.
Uma das ações defendidas pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado de Mato Grosso (ACRIMAT), Jorge Pires de Miranda, é impedir que frigoríficos como a JBS se beneficiem de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para ampliar seu poder na economia do Estado.
"Defendemos que o governo examime rigorosamente a questão da concentração de grandes empresas. Estamos pressionando para que o BNDES libere financiamento apenas para o pequeno e médio produtor", afirma o pecuarista.
Pires de Miranda sustenta que os recursos do BNDES deveriam ser voltados para alavancar o crescimento de pequenas e médias empresas que necessitam de investimento público. O presidente da Acrimat lembra que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já investiga a atuação predatória destas empresas.
"O monopólio da indústria frigorífica é evidente. Precisamos combater a concentração. Mato Grosso tem 30 milhões de cabeças de gado e boa parte dos lucros das grandes empresas está constituído em cima de financiamentos concedidos pelo BNDES, que é um banco de fomento", acrescenta.
O assunto foi debatido nesta semana em Brasília. Parlamentares, representantes do agronegócio e até o governador Silval Barbosa (PMDB) reuniram-se com o ministro da agricultura Mendes Ribeiro e pediram o apoio do governo para conter a ação considerada predatória destas grandes empresas. Mendes prometeu ajuda ao setor.
Autor: Olhar Direto