Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

A sucessão: mais do mesmo?




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Não conheço todos os países do mundo e suas histórias política. Mas, não me lembro de ver alguma coisa parecida com a sucessão do poder como aqui no Brasil.

Uma presidente é retirada do poder por improbidade administrativa e seu sucessor é suspeito de crimes graves. Os crimes estão se mostrando verdadeiros e será provavelmente retirado do poder. Seu sucessor é outro suspeito dos mesmos crimes, que governará todos nós até que um congresso repleto de suspeitos de crimes semelhantes, e até piores, eleja alguém entre eles.

Alguém acha que poderão escolher pessoa honesta, ou pelo menos que não seja suspeita?

Sinto vergonha, todas as nossas autoridades executivas e legislativas são suspeitas, e nos representam diante da comunidade internacional. E o que é pior, nem se sabe até quando, visto que novas delações podem trazer mais sujeira para imundice em que orbitam “nossos políticos”, e fazer que durem poucos meses no poder.

Não conheço todos os países, mas não me lembro de ver coisa igual a sucessão do poder no Brasil

Como aplicar num país que o presidente pode ser preso, seu sucessor idem, e seja lá quem for que escolham, terá mais compromisso com o congresso do que com o povo?

Boa parte dos nossos políticos, a começar pelo presidente, estão mais preocupados em não serem presos do que em governar ou legislar pelo país. Aliás, que programa nossos políticos tem para o país, senão conversa fiada e imagens de publicidade política ou alguma musiquinha em véspera de eleição? O lema de Eduardo Cunha na eleição passada era: respeito ao povo. Todos vimos quanto respeito ele teve por nós.

Sinceramente, não estou apenas desanimado, estou pessimista, não vejo ninguém, no campo político, com grandeza, visão e alguma sabedoria, senão ratazanas loucas por devorar pedaços do queijo do Estado. Os que se apresentaram até o momento para nos governar, ou são piores do que os atuais, ou são simplesmente incompetentes para assumirem as responsabilidades de governar, ou são os mesmos; todos com os mesmos vícios pelos privilégios do poder.

Depende de nós mudarmos essa situação. Os políticos são o problema, não a solução. Devemos encarar nossas responsabilidades pela República e impedir que esses políticos permaneçam na próxima legislatura. Não precisamos apenas de rostos novos, mas de atitude, de impor limite ao abuso de poder que os congressistas utilizam, legislando em causa própria, repudiando a legislação eleitoral que só beneficia os políticos e seus partidos.  

Pelo direito de abstenção! Se o melhor para mim não presta, por que me obrigar a ir anular meu voto?

 

Roberto de Barros Freire é professor de Filosofia da UFMT


Autor: Roberto de Barros Freire


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