Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

MT já pagou R$ 450 milhões de empréstimos por obras inacabadas do VLT




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Parado há dois anos e cinco meses o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT já custou ao governo do Estado de Mato Grosso cerca de R$ 450 milhões, somente do valor já pago do empréstimo de R$ 1,4 bilhão feito junto ao BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – para a implementação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande. A informação é do procurador geral do Estado, Rogério Gallo. O procurador ainda explica que o Estado arca com um custo mensal de R$ 14 milhões para garantir o empréstimo e a manutenção do VLT.

“É preciso que a população Mato-grossense saiba que dos R$ 1,066 que já foram pagos ao Consórcio VLT foi adquirido por empréstimo junto ao BNDES. E desse valor nós já pagamos mais de R$ 400 milhões por conta desse empréstimo e sem que o VLT esteja funcionando”, disse Gallo ao defender a retomada imediata das obras do modal.

“Esse é um apelo para concluirmos a obra do VLT. Essa obra parada, do jeito que está custa mensalmente R$ 14 milhões. E quem paga é o povo, sou eu, vocês e seus parentes”, explicou.

Rogério Gallo lembra que a própria justiça determinou que os custos com a manutenção do VLT até que a saía à decisão, ficaria com o governo e o Consórcio. “Durante o tempo em que a justiça paralisou a obra, o custo de manutenção impôs que o próprio Consórcio mantivesse aquela estrutura que está em Várzea Grande e nos canteiros de obras. Esse custo é de quase R$ 70 milhões. Então nós aplicamos o que a auditoria apontou. Que 68% dos problemas são de responsabilidade do Estado e 32% do Consórcio. Isso ficou de R$ 45 milhões para o Estado. Então o VLT parado é prejuízo para todos nós”, pontuou Gallo ao dizer que a perícia que o governo do Estado solicitou com a KPMG foi taxativa ao dizer e apontar que 68% da responsabilidade dos atrasos das obras foram por parte do próprio governo.

O procurador geral do Estado defendeu o valor de R$ 922 milhões no acordo para conclusão do VLT, lembrando que o valor é exatamente o que a KPMG apontou na sua perícia. “A KPMG não levou em consideração o que tinha ficado para trás. Os passivos que o Estado não tinha sido pago para o Consórcio que é exatamente R$ 322 milhões. Então dos R$ 922 milhões, R$ 322 milhões são que o Estado deve por medições que não foram pagas. E R$ 600 milhões é o que será pago para concluir. E esse valor foi apontado lá atrás pela KPMG”.

O acordo entre o governo e Consórcio para a retomada das obras, que estão paralisadas desde final de 2014, ficou estipulado em R$ 922 milhões. No total, o VLT custará ao Estado cerca de R$ 2 bilhões, já que até agora R$ 1 bilhão foi pago pelos cofres do governo.

O valor definido levou em consideração o que foi feito e medido até 2014 e o que será construído a partir de agora, como linhas, estações, paradas, centro de integração, operação e manutenção, além da correção monetária e atualização financeira prevista no contrato de 2012.

O acordo prevê que após a retomada das obras, a conclusão será em 24 meses. Composto por duas linhas (Aeroporto - CPA e Coxipó – Porto), com total de 22 quilômetros, o primeiro trecho a ser terminado será do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, até bairro do Porto, em Cuiabá, chegando depois ao bairro do CPA.

Na última quarta-feira, os Ministérios Públicos Federal e Estadual deram um parecer contrário ao acordo. Conforme o relatório do MPF e MPE, assinado pela procuradora da República Bianca Britto de Araújo e pelo promotor de Justiça André Luís de Almeida, o documento prevendo o acordo entre o Estado e o Consórcio possui “verdadeiras incertezas e inseguranças quanto aos termos em que foram estabelecidos valores, e a cerca da regularização das diversas falhas e equívocos observados no passado, durante desastrosa tentativa de execução/finalização das obras”.

O procurador-geral Rogério Gallo disse que acredita no acordo com o Consórcio VLT como solução porque a chamada de uma nova licitação traria novos problemas, como um gasto estimado em R$ 300 milhões para a concorrência pública, dado apontado pela Controladoria Geral do Estado, além da indefinição sobre a conclusão da obra.

“No acordo, nós eliminamos todas as inseguranças que havia, corrigimos as ilegalidades que havia nas alterações das cláusulas contratuais, nós reparamos R$ 11 milhões aos cofres públicos, que foi recebido a mais pelo consórcio, nós criamos um cronograma físico com todos os caminhos críticos para que essa obra de fato termine em 24 meses e criamos também o que não havia - e por isso o consórcio deitava e rolava naquela época – um comitê de gerenciamento de riscos”, disse Gallo.

 

 


Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba


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