Segunda-Feira, 15 de Dezembro de 2025

Propaganda ou publicidade enganosa




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O que mais encarece as campanhas políticas são os custos televisivos, radiofônicos, e, é claro, as musiquinhas.

Há uma celeuma no ar, mas, infelizmente, apenas os partidos políticos estão se posicionando, a população omissa não se manifesta.

É a questão do financiamento dos partidos políticos, induzindo-nos a pensar que o Estado deve financiar suas existências, ou ainda que empresas possam contribuir para campanhas eleitorais. Nada mais errado, para não dizer injusto e imoral.

Ora, o que é um partido político? Partidos políticos, como parte da sociedade civil, são associações livres e voluntárias de parte dos seus cidadãos, que lutam (ou deveriam) por princípios e querem defender posições privadas no diálogo público do que é certo, do que deve ser feito ou do que deve ser evitado.

A rigor, como as igrejas que defendem suas crenças ou clubes esportivos que agrega cidadãos ao seu redor, que sobrevivem do seu rebanho ou dos seus torcedores, dos eventos que promovem, a política deveria viver daqueles que acreditam em sua crença política, convencendo as pessoas que suas posições são mais verdadeira, mais justa, mais honesta, melhor.

Quanto ou como cada pessoa quer voluntariamente contribuir pouco interessa, seja rica, seja pobre, seja remediado, como a maioria, desde que livremente decida por isso.

Por outro lado, se partidos políticos são entes da República que representam cidadãos, não me parece muito justo que empresas ou outros entes jurídicos possam financiá-los (o correto seria contribuir), pois imprime seu poder sobre as posições políticas do cidadão particular, além disso, não sendo pessoas, tem interesses diversos de todos nós, econômicos antes que sociais.

Mais do que injusto, acho que é pouco honesto.

Além do mais, os impostos não devem servir a interesses privados; mesmo tendo interesses políticos, com atuação pública, partidos políticos são entes privados.

Os cidadãos permitem que se possa articular pessoas privadas para agirem na arena política, e ainda que essas pessoas possam se considerar paladinos do interesse público, as mesmas não são donas dele, que é feito na arena pública do debate de ideias, na aglutinação de forças sociais para induzir uma direção comum.

Mesmo partidos políticos precisam se submeter aos interesses dos cidadãos, nunca o contrário.

Como o próprio nome designa “Partido” – são partidários, não é a posição pública, nem comum, mas parte dela, e como cada um de nós, deve viver de seu esforço.

Que a República nos permita tomar partido, ela também nos permite não tomarmos, e não se deve obrigar a todos financiar as diversas posições com as quais nem ao menos se concorda, quando não se considera uma tolice completa.

O interesse dos partidos políticos para que sejam financiados pelo Estado é porque como não têm ideias a propagar (o que é barato, basta a palavra) – porque a ideia de propaganda política advém da suposição que se tenha o que propagar, o que de forma alguma é o caso – precisam de altos recursos para vender uma campanha publicitária de um produto consumível como qualquer outro.

Precisa de imagens e músicas para não se ouvir o que dizem, mesmo porque não têm muita coisa para ser dita, e o que é dito é um amontoado de promessas sem pé nem cabeça.

Uma proposta política autêntica sai às ruas, à praça, ao mercado, ao teatro, nas estações dos ônibus, aglutinando pessoas para constituir um interesse público menos errático, mais honesto; senão mais justo, menos injusto.

Propaga-se com o diálogo com as pessoas e convence para que lutem pelas causas comuns; se propaga com a fala que persuade aos demais de suas assertivas.

Não acho certo nem ao menos o horário eleitoral gratuito: se os partidos políticos querem propagar para todos suas ideias ou propostas, que convença a muitos para financiar espaços nos canais de televisões ou nas rádios e jornais, para que o cidadão possa mudar de canal (ou estação, ou comprar outro jornal) caso não queira ver, ouvir ou ler aquilo.

Por que sermos obrigados a ouvirmos suas tolices?

O que mais encarece as campanhas políticas são os custos televisivos, radiofônicos, e, é claro, as musiquinhas, mesmo que não paguem pelo tempo de exposição.

E torna a classe dos marqueteiros e publicitários mais influente na política nacional do que as posições dos políticos ou os desejos da população.

 

 

*Roberto de Barros Freire é professor de Filosofia da UFMT


Autor: Roberto de Barros Freire


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