“É campeão! É campeão! É campeão...”. Debaixo de um sol escaldante, com esse grito, Cuiabá recebeu ontem o Flor Ribeirinha, da tradicional comunidade São Gonçalo Beira Rio, que desfilou pela cidade em caminhões dos Bombeiros comemorando a conquista do Festival Buyukçekmece de Cultura e Artes de Istambul, num competição mundial encerrada no sábado, 5, e que reuniu 27 países.
Flor Ribeirinha desembarcou ontem em Cuiabá depois de 15 dias em Istambul, onde foi o único representante brasileiro no festival, que se realizou pela 18ª vez. A conquista do primeiro lugar foi muito disputada, revela o dançarino Michel Brito. Segundo ele, o nível dos jurados valorizou ainda mais a vitória cuiabana.
O grupo cuiabano apresentou três das principais manifestações musicais brasileiras. Dançou o Siriri, que foi definida enquanto musicalidade do Centro-Oeste; o samba, que é o ritmo nacional mais conhecido fora do país, e que para efeito de julgamento representou o repertório musical do Sudeste; e o Boi Bumbá, que é típico do Amazonas. As três vertentes foram apresentadas em separado aos jurados e posteriormente ao público.
A direção de coreografia foi de Avinner Augusto, que é neto de dona Domingas Leonor, fundadora e presidente do Flor Ribeirinha. O diretor-executivo do grupo, Jeferson Guimarães, assinou o figurino das apresentações e não economizou nas cores fortes e que se contrastavam. O papel do figurino foi importante para a conquista, avalia Michel Brito, “quando apresentamos o Boi Bumbá tivemos o cuidado de encenarmos os dois bois, o Caprichoso com seu azul e o Garantido com o tradicional vermelho, tal como eles disputam no bumbódromo em Parintins”, observa.
Istambul reuniu a elite mundial do folclore dançante. Pelo conjunto das danças, coreografia, figurino e presença cênica o Flor Ribeirinha faturou o troféu. A Coreia do Sul e a Ucrânia conquistaram o segundo lugar. A terceira colocação foi dividida por Chipre e Sérvia. Fora do pódio ficaram países com tradição musical e de danças típicas a exemplo da Rússia, Itália, Argentina, Hungria, México, Índia, Finlândia, Polônia, Bulgária, Macedônia e Eslovênia.
Num clube ao lado da sede do Flor Ribeirinha, comemorando a conquista mundial, dona Domingas destacou as dificuldades que enfrentou para levar seu grupo à Europa. A participação, segundo ela, somente foi possível graças ao apoio recebido da prefeitura, governo estadual, Assembleia Legislativa, empresas e da comunidade de São Gonçalo Beira Rio, onde o Flor Ribeirinha nasceu em 1993. Em agradecimento, após desfilar pela cidade, o grupo foi ao Palácio Paiaguás, onde foi recebido pelo governador Pedro Taques, acompanhado por sua mãe, a professora aposentada Eda Taques; o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho; e outras autoridades.
Nem mesmo o cansaço pela longa viagem e os dias de apresentações e ansiedade não darão descanso ao Flor Ribeirinha. O grupo retoma suas atividades no final de semana e se prepara para ser um dos abre-alas Brasil afora da divulgação dos 300 anos de Cuiabá, como planeja o prefeito Emanuel Pinheiro. Bagagem para tanto não lhe falta. Além do troféu que conquistou na Turquia e da experiência adquirida em incontáveis apresentações em Mato Grosso e outros estados, o grupo de São Gonçalo Beira Rio tem ainda em seu histórico outras três apresentações internacionais em festivais mundiais: em 2014, na França, e em 2015, na Itália, não competiu, mas esteve entre os que fizeram exibições demonstrativas; no ano passado, valendo título, foi vice-campeão na mesma modalidade na Coreia do Sul.
LÍDER – Dona Domingas Leonor da Silva é uma cuiabana que se não existisse teria que ser inventada. Líder comunitária por natureza, tamborinista, dançarina, coreógrafa, figurinista, artesã cerâmica, ela é tudo isso e muito mais: é considerada a mãe do Flor Ribeirinha, grupo que nasceu e gravita à sua sombra. É ela que abre portas em busca de apoio público e na iniciativa privada. É ela quem dá vida, cor, ritmo e força para sua comunidade ser campeã mundial. Figuras iguais a ela constroem a Cuiabá que se prepara para o tricentenário em 8 de abril de 2019.
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Autor: Eduardo Gomes com Diário de Cuiabá