Na semana passada, o urbaníssimo presidente Michel Temer visitou Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.
Veio assistir à inauguração de uma fábrica de etanol de milho. Aliás, a nova onda do etanol, hoje restrito à cana-de-açúcar.
A presença do presidente teve um mérito principal de chamar a atenção do Brasil para as inovações que se usam em Mato Grosso. O presidente sempre atrai junto um batalhão de jornalistas interessados em declarações políticas.
Na verdade, pouco lhes interessa o que acontece no lugar onde está o presidente. Esperam pegá-lo num momento de distração e arrancar dele declarações políticas fortes.
De qualquer modo, esse batalhão de jornalistas é de veículos de comunicação do Sul e do Sudeste ou de Brasília e olham pra Mato Grosso com profundo preconceito.
A maioria está na faixa dos 40 anos e vem de universidades ideologicamente voltadas à esquerda e, portanto, contrárias, a tudo que não seja a economia estatal.
Esta ainda é uma herança da era petista: o preconceito geral e generalizado contra a economia produtiva. O encanto é com a economia do Estado.
Certamente, o presidente Temer ainda tem na cabeça o antigo sistema de agricultura do interior de São Paulo, onde nasceu, e do resto do país. Uma agricultura dependente do governo e quase escravocrata.
O agronegócio caminha numa vertente tecnológica, de escala e profundamente inovadora.
Quem trabalha no setor precisa de formação educacional e ganha bem. Aliás, em Cuiabá mesmo, há gente urbana que tem a mesma imagem.
Nunca subiu além da serra de Chapada dos Guimarães. E julga com base no ouvir dizer.
Tem razão a surpresa do presidente quanto a Mato Grosso representar o Brasil que dá certo. Em 1994 a primeira grande safra de soja chegou a 3 milhões e meio de toneladas.
Supercomemorada porque era um recorde! Em 2017 colheu 60 milhões de toneladas. Foram 56 milhões e meio de toneladas mais produzidas em exatos 20 anos.
A balança comercial brasileira tem um superavit que corresponde ao volume financeiro das exportações de commodities agrícolas do estrado de Mato Grosso. É, de fato, um Brasil que dá certo.
O futuro também animador na medida em que a tecnologia promete avançar, ainda mais com o uso próximo da inteligência artificial e os lances da cada vez mais sofisticada biotecnologia. Fora terras agricultáveis e sustentáveis.
Principalmente, a conversão de 27 milhões de hectares de pastagens extensivas e consórcios de agricultura e plantio de árvores.
Vi muita gente de Mato Grosso torcendo o nariz para o presidente Temer. Ele, pouco me importa.
Mas o seu reconhecimento público para o Brasil, reforça a importância de nosso estado. É um grande ganho!
*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
Autor: Onofre Ribeiro