Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Secretário de Saúde diz que hospitais filantrópicos "fazem chantagem"




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Ao reafirmar que o Governo do Estado não deve nada para os hospitais filantrópicos credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o secretário de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), Luiz Soares, afirmou que a direção das unidades faltam com a verdade sobre o suposto atraso no pagamento do aporte financeiro no valor de R$ 12,7 milhões. Para ele, as instituições "chantageiam" e até tentam "extorquir" o Estado usando o "sofrimento da população".

Alegando atrasos de repasses e dificuldades financeiras, Santa Casa, Santa Helena, Hospital Geral (HGU) e a Santa Casa de Rondonópolis (250 quilômetros, ao sul da capital) suspenderam há semana os atendimentos eletivos. Já nesta semana, foram interrompidos os serviços de obstetrícia do HG, de pronto atendimento de pediatria e leitos de retaguarda da Santa Casa da capital. Amanhã (18), a direção das instituições afirmam que se nada for feito ou feito algum repasse não haverá outra alternativa a não ser fechar as portas.

Porém, Luiz Soares garante que o Governo do Estado sempre esteve e está aberto ao diálogo e rebate as instituições. "Num dado momento, diante da crise das filantrópicas que é séria e preocupante, é preciso que a gente converse com base em verdade. Eu abomino a mentira e, neste caso, há mentiras e eu diria até uma espécie de chantagem usando o sofrimento da população. Diria até extorsão porque a portaria assinada é clara. As Santa Casas procuraram o (ex)prefeito Mauro Mendes, o (ex)secretário Ary Soares e foram até o governador. Com isso, conseguiram a generosidade do governador de dar em três meses consecutivos R$ 7,5 milhões como uma ajuda emergencial para cobrir o déficit dos (próprios) filantrópicos", afirmou Luiz Soares, em entrevista à Radio Capital FM.

Soares se refere a um acordo feito ainda na gestão do ex-secretário de Saúde, Eduardo Bermudez. Na ocasião, foi realizada uma reunião entre os representantes dos hospitais, Mendes e o governador Pedro Taques, que concordou em repassar R$ 7,5 milhões aos filantrópicos, dividido em três parcelas, nos meses de dezembro de 2016, janeiro e fevereiro deste ano. Porém, os hospitais afirmam que o Estado deve os meses em que ficaram sem repassar a ajuda.

Já Soares garante que nunca foi obrigação do Estado realizar repasses para os hospitais filantrópicos. "Não era nada que o Estado devesse. Foi uma ajuda dada e sem poder", afiançou. "Quando assumi a secretaria em 21 de março já estava tudo pago", afiançou comentando que, agora, o governador está sendo colocado como "homem mau" e o "ruinzinho da história". "Se não tiver uma discussão séria, num momento de crise, vira chantagem ou extorsão, e nunca vai cobrir déficit", completou.

O secretário afirmou ainda que, para ajudar as filantrópicas, o Governo deixou de pagar a mesma quantia às unidades próprias da administração estadual. Por isso, hoje deve os hospitais de Colíder e Alta Floresta. "Deve exatamente o valor que foi repassado para os filantrópicos. O que era R$ 7,5 milhões para ser repassada para os hospitais próprios agora virou R$ 15 milhões", informou.

Conforme a Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas Prestadoras de Serviço na Área da Saúde do Estado de Mato Grosso (Fehos/MT), o encerramento das atividades das instituições irão tirar da rede pública de saúde 672 leitos de enfermaria e 158 leitos de UTI, somando 830 leitos no total. Além disso, cerca de 1.000 pessoas ficarão sem atendimentos por dia, o que representaria 3,5 mil internações e 1.500 partos por mês.

INVESTIMENTO - Neste ano, até julho passado, o Estado informou que já repassou R$ 76.804.594,00 para os fundos municipais de Saúde de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. Segundo a Ses, dados da Controladoria Geral do Estado mostram que desde 2013, o volume de recursos repassados para os três maiores municípios do Estado vem crescendo consideravelmente. Entre 2015 e 2016, os repasses aumentaram 58,65%. Este dinheiro é destinado para as prefeituras fazerem o custeio dos serviços médicos, incluindo a contratação de serviços prestados pelos hospitais filantrópicos.

Em 2015, o governo repassou para o Fundo Municipal de Saúde destes três cidades o valor total de R$ 99.436.595,00 enquanto que em 2016 o repasse subiu para R$ 157.753.965,00. Estas cidades possuem mais de 1,75 milhão de habitantes, o que corresponde a quase um terço da população de Mato Grosso.

Os repasses para o Fundo Municipal de Saúde de Cuiabá cresceram 59,75% de 2015 para 2016. Em 2015, o valor transferido foi de R$ 67.695.160,00. Já em 2016, o valor repassado de R$ 108.149.399,00.

Esses dados demonstram que, apesar da crise financeira que afetou todo o país, desde 2015, o governo do Estado vem se esforçando em priorizar a saúde nos municípios, adotando medidas extremas de contenção de despesas em todas as áreas da administração, incluindo a redução de jornada de trabalho dos mais de 100 mil servidores.

 


Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba


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