O Tribunal de Justiça converteu a prisão preventiva dos coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros em prisão domiciliar. A medida é fruto de uma decisão proferida ontem pelo desembargador Orlando Perri.
Ambos estavam detidos desde 23 de junho por suposto envolvimento no esquema de grampos ilegais no âmbito da polícia militar de Mato Grosso.
Na decisão que converteu a prisão, o desembargador impõe uma série de medidas cautelares a serem cumpridas pelos coronéis. A partir de agora eles passarão a ser monitorados por meio da tornozeleira eletrônica.
Além disso, estão proibidos de manter contato com os demais réus, testemunhas e investigados no esquema. Conforme Perri, esta medida é imprescindível “para o fim de evitar prejuízo à instrução processual”. Eles ainda não poderão deixar a Capital.
De acordo com Perri, apesar de haver “indícios concretos e seguros” sobre o envolvimento dos coronéis no esquema de grampos ilegais, “a participação de ambos não foi tão incisiva e direta para o sucesso da empreitada criminosa, nomeadamente no que tange às escutas telefônicas ilegais”.
Por conta disso, reverteu a prisão preventiva em prisão domicilar. “A prisão domiciliar se patenteia indispensável, pois caso continuem em plena atividade, os coronéis Lesco e Barros poderão, até pelo princípio da hierarquia e da disciplina, influenciar na apuração dos fatos, e na própria instrução criminal, pois poderão coagir ou intimidar os corréus e as testemunhas que também sejam militares de hierarquia inferior, o que não pode ser admitido, nem por remotíssima hipótese”, diz o desembargador em trecho do despacho.
Desta forma, seguem presos pelo esquema apenas o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, e o cabo da PM, Gerson Luiz Correia Junior.
O esquema de grampos ilegais veio a tona em maio deste ano com a saída de Paulo Taques da Casa Civil. O esquema foi denunciado à Procuradoria Geral da República pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. De acordo com ele, membros da Policia Militar e integrantes do primeiro e segundo escalão do Executivo Estadual estariam se utilizando da máquina para fazer interceptações telefônicas irregulares por meio da chamada “barriga de aluguel”.
Entre os grampeados estão adversários políticos, jornalistas, advogados, entre outros. Os números teriam sido incluídos em uma investigação sobre tráfico de drogas no município de Cáceres.
Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba