Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

A riqueza é a singularidade




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O turismo histórico é um setor forte de geração de riqueza. A rota cultural rende muito. O que o turista quer ver é o típico, o original.

As ruínas de Pompeia são visitadas por milhões de pessoas dispostas a pagar agências, guias, alimentação, hotelaria etc.

Da mesma forma, paga-se uma fortuna por ano para ver o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, a Torre de Pisa, o Coliseu, entre outros pontos obrigatórios no turismo mundial.

Pouca gente sabe, mas Washington também fatura bastante com monumentos históricos, assim como pequenas cidades norte-americanas que conservam imóveis onde aconteceu o rompimento com a metrópole ou a guerra civil.

Na América Latina, há as ruínas dos impérios asteca, inca e maia, com especial atenção para Machu Picchu.

Tudo isso a gente já sabe. Mas quero chamar atenção para uma casinha. Fica ao lado da catedral, numa rua que se intitula como “dourada”.

Percebam que não há nada de grandioso. Apenas uma placa discretíssima com o nome de Franz Kafka, o escritor de Metamorfose, O Castelo, O Processo, Cartas ao Pai, entre outras obras fundamentais da literatura universal.

Apenas isso. Nada mais do que uma plaquinha. Tudo o que se relaciona com Kafka está marcado na República Tcheca.

O turista tira uma foto, compra souvenir, livro, paga excursão e gera bilhões. Em Veneza, há um entalhe marcando o local onde viveu Casanova. Mínimo, em mármore.

Chamei atenção para uma das casas de Kafka para comparar com o nosso casario da tricentenária Cuiabá.

Há os megalômanos que pensam em erguer uma Torre Eiffel em Cuiabá ou, no ápice do delírio, construir um Arco do Triunfo pantaneiro.

Nada mais brega do que imitar valores alheios. Não é só brega, é pobre de espírito.

O casario colonial de Cuiabá, as igrejas e seus ricos entalhes, o estilo neoclássico que convive com o traço barroco, os museus, todo o conjunto já é suficiente para a geração de recursos.

É preciso identificar os casarios, pontuando eventos e personalidades históricas. É dizer: essas imagens só há aqui, em Cuiabá.

Cidades como Salvador, São Luís, Recife, Olinda, e aquelas pertencentes ao circuito mineiro setecentista, já perceberam essa obviedade.

Temos riqueza dentro de Cuiabá. É aí, garimpando história e cultura, que brota riqueza.

 

*Eduardo Mahon é advogado e escritor em Cuiabá.


Autor: Eduardo Mahon


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