Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

Vaidades, vaidades!




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No ritual de iniciação na Maçonaria, depois de percorrer acompanhado de padrinhos locais de dor como cemitério, hospitais, o candidato à iniciação nos sagrados mistérios tem um último momento de reflexão, antes da decisão final.

É colocado numa sala fechada, onde está escrito nas paredes o desafio: “Vaidades, vaidades, vaidades”. O que tem a ver a iniciação maçônica com os desdobramentos dos grampos descobertos recentemente em Mato Grosso?

Antes de responder, vou ao filme “O Advogado do Diabo”, com Keanu Reeves. A cena que encerra e resume o espírito do filme é didática. O ator Al Pacino, que representa o diabo, seduz o jovem advogado pra retornar a Nova York, de onde saíra desiludido. Uma simples frase: “A vaidade é o meu pecado predileto”.          

Agora, os fatos dos grampos em Mato Grosso. O andamento do assunto percorreu corredores e gabinetes palacianos, quartéis militares, delegacias de polícia, gabinetes de desembargados no Tribunal de Justiça, gabinetes de procuradores do Ministério Público Estadual e no poderoso Gaeco.  

A partir do momento em que todos esses personagens se viram envolvidos, começou uma guerra de defesas e tentativa de se livrarem da peste que veio junto.

Jogaram a culpa um no outro. Dividiram-se e multiplicaram-se os argumentos de defesa e de escape. O fato é que houve grampos. Meio que sem paternidade, mas houve.

Lá em 1991, o empresário Pedro Collor de Mello, magoado por assuntos familiares, denunciou o irmão Fernando Collor, presidente da República. Collor caiu em menos de um ano. O filme, a iniciação maçônica e Pedro Collor nos remetem a apreciar no campo da paisagem dos grampos a lenta deterioração das vaidades.

Hoje, a sociedade é a maior interessada na apuração. Os órgãos envolvidos parecem não entender que a vaidade vai levá-los pro buraco. Em vez de conversarem civilizadamente em torno do assunto, preferem discutir via inquéritos e a mídia.

Não entendem que sairão todos perdendo a continuarem na rota atual. Uma coisa precisa ficar claro pra todos: a sociedade não se importa com nenhum deles em particular. Quer apurações e os culpados punidos. Simples assim!

 

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.


Autor: Onofre Ribeiro


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