O número de boletins de ocorrência que foram motivados por homofobia aumentou 32% em Mato Grosso, somente nos oito meses deste ano. Os dados são do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH), que integra a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que também afirmou que o balanço teve acréscimo representativo nos últimos seis anos.
Em 2011, para se ter uma ideia, 17 casos foram contabilizados. E, em 2017 (de janeiro a agosto) já somam 89.
Já em 2012, foram 24 boletins registrados e no ano de 2013 o número subiu para 45, sendo que em 2014 caiu para 27 e em 2015 voltou a aumentar e chegou à casa dos 60 e em 2016 aumentou mais sete casos, contabilizando assim 67 nesta época.
De acordo com o secretário executivo do GECCH, Ricardo Bueno, nesses seis anos o número de agressões chegou ao total de 329. Desses, pelo menos 44 assassinatos contra Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBTs) aconteceram.
Para o secretário, apesar dos dados de mortes serem registrados com frequência em um estado como Mato Grosso, a Sesp não têm condições de fazer uma análise com as pessoas que são agredidas nessa situação, já que a grande maioria delas não registra o boletim de ocorrência por medo, retaliação ou até mesmo por aceitar qualquer violação aos direitos.
Mas, o aumento nos casos pode estar relacionado a vários motivos, como por exemplo, o maior acesso a informação dos direitos garantidos aos LGBTs.
No dia 7 de abril, uma travesti de 22 anos foi assassinada a tiros em Primavera do Leste, distante a 230 quilômetros de Cuiabá. A vítima Walisson Denis de Carvalho Gonçalves usava o nome social de Bianka Gonçalves. Ela trabalhava com outras travestis em um ponto de prostituição, perto da feira municipal, quando foi vítima de um suposto assalto e acabou morta.
Em 25 de abril, Wagner Pereira Soares, 26 anos foi assassinado em uma rua do bairro Planalto. Conforme informações da Polícia Militar, Wagner era homossexual e cumpria pena no regime semiaberto desde que foi condenado da Justiça por tráfico de drogas.
E no dia 24 de julho, outro caso que ganhou repercussão foi de Tiago da Costa Assunção, conhecida como Natália. Ela estava próxima de um motel aguardando clientes, quando o motorista de um veículo não concordou com o preço cobrado pela travesti e acabou atropelando Natália. O foi registrado na região do Zero Quilômetro, no bairro Jardim Potiguar, em Várzea Grande.
AÇÕES DO ESTADO - Segundo o secretário, em Mato Grosso, desde 2009 os boletins de ocorrências registrados contam com a motivação de homofobia. Em 2010 foi incluído o campo para nome social de travestis e transexuais e em 2016 passou a ter a orientação sexual.
“Com essa formatação do boletim de ocorrência, Mato Grosso se tornou referência nacional. O objetivo é garantir o respeito e a dignidade às vítimas LGBTs”, ressalta.
Uma das razões para essa formatação é o fato de que com isso é possível ter um indicador da quantidade de vítimas LGBTs que registram ocorrências no Estado.
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Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba