A espera dos pacientes portadores de câncer para se submeterem a radioterapia por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi matéria de pronunciamento do deputado Victório Galli (PMDB), do plenário da Câmara.
O deputado citou que um conjunto de matérias veiculadas pelo jornal Correio Braziliense sugere que há falta de aparelhos modernos e de mão de obra capacitada no SUS.
A radioterapia é necessária para tratar 60% dos casos de tumores malignos diagnosticados. Entretanto, 85 mil pacientes não devem conseguir se submeter à radioterapia neste ano no Brasil e os que conseguirem o tratamento terão de esperar em média mais de 110 dias para iniciar as sessões.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil deveria possuir uma máquina de megavoltagem – o acelerador linear – para cada 600 mil habitantes, o que, para uma população estimada em 200 milhões de pessoas, resultaria em 335 máquinas; contudo, existem apenas 230 máquinas.
Amapá e Roraima não possuem nenhuma dessas máquina para atender a população. Além disso, em outros Estados elas estão concentradas nas capitais.
Conforme o deputado Victório, a preocupação com esse tema fez parte de recente decisão ocorrida no Plenário da Câmara. Em junho foi aprovada proposta que estabelece o prazo máximo de 60 dias, contados do diagnóstico médico, para o paciente começar a receber tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, uma paciente com câncer de mama pode levar até seis meses para começar a ser tratada e, nesse período, o que era um nódulo pode avançar para uma fase mais grave, e a chance de cura cai de 80% para 10%. “Cabe, pois, ao Ministério da Saúde, como gestor federal do SUS, coordenar as ações visando a superar esse quadro”, cobrou Victório.
Segundo informações divulgadas pelo governo federal, serão investidos cerca de R$ 505 milhões na rede de unidades oncológicas do SUS. Os recursos vão ser aplicados em infraestrutura (R$ 325 milhões) e na compra de aceleradores lineares, equipamentos de alta tecnologia usados em radioterapia, além de outros acessórios (R$ 180 milhões).
As obras de infraestrutura e os equipamentos financiados pelo Ministério da Saúde serão destinados a ampliar tecnologicamente 32 unidades oncológicas que já oferecem radioterapia, e criar outros 48 outros serviços novos.
A compra dos equipamentos deverá aumentar a capacidade de atendimento do SUS em 20%, alcançando quase 100% da demanda nacional, disse o deputado Victório.
Autor: Arlindo Teixeira Jr.