O Brasil tem os piores políticos do planeta, segundo estudo do Fórum Econômico Mundial. A edição de 2017 usou as respostas dadas por 12.775 executivos de 133 países, colhidas entre fevereiro e junho deste ano.
A nota média para os princípios éticos dos políticos brasileiros foi de 1,3 colocando o Brasil na 137ª posição, o último lugar. Já Singapura, Emirados Árabes Unidos e Nova Zelândia ficaram nos três primeiros lugares.
O país melhorou, contudo no quesito “instituições”, subindo 11 posições, ocupando a 80ª posição, ainda muito ruim. Essa melhora, segundo o relatório que acompanha o ranking, se deve, em parte, à Operação Lava-Jato.
O documento diz que a subida de posição “mostra os efeitos de investigações que levam a maior transparência e à percepção de procedimentos bem-sucedidos para reduzir a corrupção dentro dos limites institucionais da Constituição do Brasil”.
Mas, por que temos uma maioria de políticos de péssimo gabarito?
Afinal, o homem é um animal político (Zoon Politikon), segundo Aristóteles, um animal racional que fala, pensa e que, além disso, tem a necessidade natural de conviver em sociedade. Resgatar o pensamento do grande filósofo grego torna-se necessário para uma reflexão.
Aristóteles fez parte da corte do Rei Filipe, da Macedônia, em 343 a. C., para encarregar-se da educação de seu filho Alexandre, que lhe ensinou retórica e literatura, e estimulou seu interesse pelas ciências, medicina e filosofia. Posteriormente, Alexandre, o Grande, o jovem príncipe sucedeu seu pai, o rei Filipe II, ao trono com 20 anos de idade.
Até os 30 anos, Alexandre havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Alexandre destacou-se pelo brilhantismo tático e pela rapidez com que atravessava grandes territórios.
Aristóteles rejeita a tese liberal moderna de que o indivíduo é mais importante do que a família ou a sociedade. “Isoladamente, o indivíduo não é autossuficiente, já a falta de um indivíduo não é determinante para a vida da pólis (cidade) ”.
Dessa forma, na ordem natural das coisas, o Estado se coloca antes da família e antes de cada indivíduo, pois o bem comum é superior ao bem individual, a coletividade suplanta o particular. Para Aristóteles, “ o Estado tem, por natureza, mais importância do que a família e o indivíduo, uma vez que o conjunto é necessariamente mais do que as partes”. (Política-livro I, I,11).
Na medida em que os políticos se afastam da comunidade e passam ter projetos individuais, se tornam péssimos políticos.
Aristóteles propõe que a característica essencial do ser humano é a vida em comunidade, e que almejar o bem e a felicidade só é possível sob a organização da sociedade.
Ou seja, o bom político é aquele que age politicamente em favor da comunidade e não individualmente.
Como é grande a chance de sempre se ter os interesses individuais e familiares contaminando ou interferindo nos interesses da coletividade, é preciso que exista um sistema político que controle o político e faça transparente para o público tudo o que esse político faz.
É preciso que estabeleçam condicionantes para a ação política, sempre determinando ou exigindo que exista participação da sociedade na elaboração das políticas públicas e das leis.
*Vicente Vuolo é economista, cientista político e jornalista-colaborador.
Autor: Vicente Vuolo