O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), por meio de sua defesa, afirmou que o empresário Genir Martelli, delator das operações Ararath e Malebolge, “despreza a inteligência alheia” ao lhe acusar de ter avalizado um esquema de pagamento de propina em troca de créditos tributários a transportadoras, em 2009.
A acusação de Martelli, que atua no ramo de transportes, consta em depoimento da delação premiada firmada pelo empresário.
A delação de Genir Martelli, assim como a do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), embasou a deflagração da Operação Malebolge, no dia 14 de setembro, que teve Blairo Maggi como um dos alvos de buscas e apreensões.
O empresário contou que, durante a gestão de Maggi como governador, foi editado um decreto que concedeu créditos tributários às transportadoras.
Em troca, ficou acordado que o Grupo Martelli e as transportadoras Transoeste Logísitca e Bergamaschi Transportes deveriam devolver ao grupo político de Maggi, por meio do então secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, o montante de R$ 23 milhões.
“A defesa do ministro Blairo Maggi informa que nos seus mais de 10 anos de vida pública participou de centenas e centenas de reuniões, diariamente, que é rotina cotidiana de um homem público. Todavia, refuta veementemente qualquer ilação de que tenha participado de reuniões com fins ilícitos. Se alguém o fez, que assuma suas responsabilidades sem querer arrastar para o terreno ilícito em que caminhou pessoas inocentes”, diz trecho da nota emitida pela defesa do ministro.
Para a defesa de Maggi, as declarações contidas na delação de Genir Martelli são ”absolutamente vazias” e não tragam qualquer prova que o incrime.
“Meras palavras de um colaborador, sem cumprir o imprescindível requisito legal de indicação de elementos indiciários mínimos para que a afirmação tenha um princípio de veracidade”.
O ministro afirmou que as acusações lançadas contra ele demonstram o “desespero” de Genir Martelli para “obter benefícios legais a fim de compensar atos confessadamente criminosos”, além de refutar o relato de que teria autorizado verbalmente o Bic Banco a conceder empréstimos a empresários.
“É necessário prudência e equilíbrio para se apreciar palavras isoladas de um delator. Neste caso, há incoerência e até desprezo com a inteligência alheia ao afirmar que instituições financeiras aceitam que se avalizem empréstimos de forma verbal, conforme o delator aponta”, criticou.
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Autor: AMZ Noticias com Midia News