Enquanto crianças, os primos Antônio José Florentino e Anita dos Santos costumavam compartilhar brincadeiras e molecagens. Já na juventude, ele deixou a pequena cidade de Triunfo, no interior de Pernambuco, para estudar.
Ao retornar, o rapaz de 26 anos não demorou a engatar um namoro com a moça 20. De lá pra cá, já são muitos momentos de alegria, companheirismo e uma bela união, que completará 70 anos no próximo mês.
Agora, sete décadas depois do casamento, eles decidiram comemorar as “Bodas de Vinho” com uma cerimônia religiosa, no dia 11 de novembro, seguida de um jantar de comemoração, no Bairro Jardim Universitário, na Capital.
Em entrevista ao MidiaNews nesta semana, o casal - ela com 89 anos e ele com 95 - revelou que não tem segredo para a união se perpetuar.
“O relacionamento dura quando há compreensão e amor. E, é claro, o fato de nos apoiarmos conta muito, porque se não combinar essas coisas, não dá nada certo” disse Anita.
Da união nasceram nove filhos, doze netos e nove bisnetos. Conforme o casal, apenas uma filha é mato-grossense, nascida em Coxim (atual Mato Grosso do Sul).
O começo de tudo
Naquela época, o casal conta que não existia a palavra namoro. “Os pais da gente eram muito rígidos e ainda tinha a questão que éramos primos, o que era normal acontecer também. Então, assim que ele voltou de São Paulo, nós resolvemos ficar juntos. Depois de sete dias, casamos de papel passado e tudo”, lembrou Anita.
Sem dinheiro e sem emprego, os dois decidiram sair da cidade natal e arriscar a sorte fora. Foi numa dessas que vieram parar em Mato Grosso.
“Nós saímos de Pernambuco e fomos morar no interior de São Paulo, onde eu não me adaptei porque era muito frio. Então só ficamos lá por um ano. Foi onde nasceu minha primeira filha. No ano seguinte fomos morar no Ceará e eu tive meu segundo filho. E lá moramos alguns anos e voltamos para Pernambuco, onde ficamos perto da família e começamos a trabalhar na roça. Aí vieram mais filhos”, disse a dona de casa.
Com o dinheiro que conseguiram trabalhando, eles conseguiram comprar um terreno em Mirassol DOeste, para onde se mudaram, com a ajuda do irmão, que morava em Coxim.
“Aquela foi uma vida bem difícil [em Mirassol DOeste]. Era só mato, não tinha casa, não tinha água, era tudo longe. Tínhamos que carregar água de um local muito distante. Lá eu engravidei, mas ganhei meu bebê em Coxim. Meu irmão que morava em Coxim falou para eu ficar lá até ter o bebê, porque as condições eram melhores, né”, contou a idosa.
Antônio diz que ele e a esposa só vieram para Cuiabá porque, depois que os filhos se formaram, foram embora de casa e eles começaram a se sentir sozinhos.
“Minhas meninas formaram, são professoras e vieram morar aqui. Os meus meninos também se mudaram para cá. Só tem um que mora em São Paulo. Então decidimos vender tudo em Mirassol e vir morar perto deles”, disse o aposentado.
Hoje o casal mora em uma residência no mesmo bairro do restante da família. E segundo eles, “a casa nunca mais ficou vazia”.
Felizes sempre?
Questionados a respeito da receita para se ter uma relação que já dura sete décadas, os dois se entreolharam, riram e dona Anita respondeu: “Eu falo sempre que é a mesma coisa que vocês podem fazer, que é ter compreensão e amor. É fundamental, porque um ajuda o outro”.
Os dois ainda dizem que a discussão faz parte do relacionamento, mas Antônio enfatiza que sempre um tem que ceder. “Se ela não quer e eu quero, eu não vou levar isso adiante. Não quer, não quer, ponto!”.
Anita ainda diz que as pessoas ficam perplexas com o tipo de relação duradoura que tem com o marido, porque hoje os princípios de relacionamento são diferentes dos de antigamente.
“Eu acho normal 70 anos, porque na minha época era assim, as mulheres antes não tinham muita profissão, morávamos em sítio. Então você casava e já tinha aquele apoio do marido, porque dependíamos muito deles. Antes se vivia para ser dona de casa, criar filho e viver na vida de doméstica”.
"Hoje você vê que tem muitas mulheres independentes. Não deu certo, ela fala: Procura seu rumo que eu me viro. Hoje a gente vê que a conversa entre eles é: Se não der certo a gente se separa. E não é assim, esse não é pensamento correto. Porque se a gente faz um juramento, é para toda vida. Não é para separar”, comentou Anita.
Autor: AMZ Noticias com Midia News