Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Praias abandonadas por órgãos ambientais se tornam depósito de lixo em Barra do Garças




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Três meses após o fim da alta temporada, período do ano de maior movimento nos rios Araguaia e Garças, banhistas continuam deixando lixo nas praias fluviais da região. A estiagem intensa favorece o uso das encostas de areia, mas a população não tem colaborado com a preservação da paisagem. Com a partida dos turistas, fiscalização e campanhas de preservação acabam, e nenhum órgão ambiental assume a competência da proteção das praias.

Nessa semana, a página de humor Barra do Garças - M1l Gr4u publicou fotos de praias urbanas de Barra do Garças, que mostram muitos objetos jogados na área. Na praia do Toledo, próxima ao residencial Toledo, e na do Bosque, no bairro Nova Barra, cadeira quebrada, lata de bebida e até uma frauda, foram alguns dos itens fotografados por um internauta.

A reportagem do Semana7 visitou a praia do Bosque, e confirmou a situação. Lixo na areia e no rio. Uma mulher jogava uma lata de bebida no leito do Garças, sem qualquer receio. As praias não possuem lixeiras para coleta de resíduos ou placas informativas sobre descarte de lixo.

O resíduo jogado na praia, além de ocasionar acidentes para os banhistas, que andam descalços na areia, pode ser levado para o leito do rio, quando o nível da água aumentar, e ainda ficar alojado nos locais florestados das Áreas de Preservação Permanente (APP). As APPs, que correspondem a uma faixa das margens dos rios, também englobam as praias fluviais e são protegidas por lei.

Segundo o autônomo do ramo do turismo Antônio Carlos Marques de Araújo, os cuidados com a segurança e a fiscalização ambiental se concentram em julho e os demais meses de praia não são contemplados pelos órgãos ambientais responsáveis. O empresário, que oferece passeios em trilhas e a caiaque nos mananciais da região, afirma que a limpeza da praia depende de iniciativas institucionais e pessoais, que realizam coleta de lixo nos locais.

“Recentemente, fizemos uma descida a caiaque, através de um trabalho realizado há quatro anos por uma faculdade, em que é coletado o lixo nas margens e no leito do rio. Foi no pós- temporada, já no início de outubro, e ainda tinha muito lixo”, conta. De acordo com Antônio, com a ajuda de caiaques e outras embarcações, nesse dia o grupo conseguiu retirar um barco para seis pessoas lotado de resíduos.

Antônio ainda põe em cheque a fiscalização sobre o descarte do lixo no período de alta temporada, que ele diz não existir efetivamente. Segundo o empresário, embora haja campanhas e fiscalização nos acampamentos e barracas comerciais, que funcionam amparados por licença ambiental, grande quantidade de resíduo é descartada de forma inadequada. Ele também menciona a inexistência de banheiros químicos e caixa de gordura nas praias de Barra do Garças.

A superintendência regional de Barra do Garças da Secretária de Estado de Meio Ambiente (Sema) é o órgão diretamente responsável pelas APPs da região. Segundo o diretor regional, Luciano Nápolis Costa, a Sema realiza campanhas nas praias durante o período de alta temporada, mas a unidade não tem efetivo para fazer uma fiscalização em todo o período de estiagem.

Ele explica que na temporada, a equipe da Sema orienta os acampamentos quanto ao descarte do lixo e a outras formas de preservação do meio ambiente. Mas a campanha não consegue abarcar os frequentadores esporádicos.

“A gente sempre está fazendo fiscalização nos acampamentos [durante a temporada], orientando sobre a questão do recolhimento de lixo e dando dicas. Mas existem aquelas pessoas que vão apenas no fim de semana, não estão acampadas, passam apenas o dia. Nós não temos efetivo para fiscalizar toda essa área.”

O diretor destaca que a unidade atua em 18 municípios vizinhos, realizando licenciamento e fiscalização, dentre outras atividades, e o quadro de funcionários é pequeno para a região. Ele alega que a fiscalização de praias dentro do perímetro urbano, como a do Toledo e a do Bosque, também compete a prefeitura de Barra do Garças.

“Nossa jurisdição é muito maior do que a da prefeitura. A administração municipal tem a Secretária de Meio Ambiente, como órgão competente para fiscalizar e ainda existe a polícia e outros órgãos que também podem realizar esse trabalho.”

Por telefone, a reportagem entrou em contato com o secretário de Meio Ambiente, Lúcio Violin, que informou estar viajando e não poder atender pessoalmente. O Semana7 questionou o secretário sobre a fiscalização nas praias urbanas, projetos de preservação nesses locais e sobre a fixação de lixeiras e placas informativas, mas, até o fechamento da matéria, não obteve respostas.

Amanhã (20) ocorre a audiência pública S.O.S Araguaia, que discutirá políticas de combate a degradação do rio e seus afluentes. A preservação das praias e a interferência do turismo e das práticas recreativas nos mananciais devem ser algumas das pautas a serem discutidas.

Paralelo

Recentemente o Ministério Público (MP) interditou o Parque Estadual Serra Azul (Pesa), um dos principais pontos turísticos e recreativos de Barra do Garças. O motivo foi a falta de estrutura que, segundo o MP, colocava em risco os usuários do parque. Agora, uma série de exigências estão sendo atendidas pela coordenação da Sema, responsável pelo Pesa, para que o local possa voltar a atender regularmente a população. Fazendo um paralelo com o caso das praias, é a população que oferece risco ao meio ambiente. Caberá intervenção do MP?

 


Autor: AMZ Noticias com Semana7


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