Jornal da Notícia
  Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

ARTIGO – Turismo em MT como Copiar um Bom Exemplo por Agripino Bonilha Filho




COMPARTILHE

Pode-se afirmar que a tarefa de importar os exemplos dos países do primeiro mundo para a nossa realidade é extremamente difícil, mas é possível assimilar algumas experiências, desde que medidas pelo alto grau de bom senso, criatividade e vontade de aprender.

Refiro-me a uma viagem que fiz ao Canadá, uma nação que coloca o turismo em alto grau de prioridade. Naquele país as grandes cidades se interligam por estradas de oito pistas por onde escoa a sua economia. Para o turismo, o transporte é alternativo com itinerários repletos de atrações e um bom planejamento com a visão de apreciar com conforto e segurança cada paisagem.

Neste percurso há paradas para as refeições em lugares requintados e de bom gosto. O cardápio regional alia-se aos costumes e tradições emolduradas em parques temáticos. Intercalam-se alguns recantos acostados na estrada, mirantes onde o turista dispõe de alguns minutos para fotografar montanhas, lagos, campos, florestas e neves eternas. São detalhes que enriquecem a viagem com exposição de lugares fantásticos. Contemplar e fotografar faz parte do ritual e prazer do viajante.

Agora vamos tentar fazer o mesmo no percurso entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, passando pelo Portão do Inferno e contemplar uma visão privilegiada do referido portal. O primeiro ponto para o qual devemos atentar é que a impressão inicial do turista é a de total abandono, onde havia, inclusive, uma espécie de arremedo de bar, sem atender ao mínimo de padrão de higiene, tampouco em condições de oferecer algum conforto aos visitantes.

É preciso verificar, além disso, que as trilhas internas do mirante eram utilizadas essencialmente para satisfazer as necessidades biológicas dos passantes. Da mesma forma, ao se tentar uma fotografia do local, caminhava-se por uma estreita calçada junto à rodovia que oferece de um lado a beleza e do outro o perigo. Este é decerto um ponto turístico que merece a nossa atenção.

Existe, por outro lado, um excelente projeto ecológico formatado pelo arquiteto José Afonso Portocarrero, concebido para o Portão do Inferno. Neste projeto, o turista percorre toda a área sem pisar no solo e cuja entrada situa-se acima, com 150 metros de distância do antigo bar, onde haverá um tablado redondo de madeira adaptado para uso de estacionamento. Ao descer, o visitante caminha sobre uma passarela de madeira em duas direções: à esquerda, há um restaurante panorâmico em forma de oca indígena avançando ao limite do abismo, com uma visão de tirar o fôlego. Pelo lado direito, o visitante segue por uma passarela à margem do asfalto para chegar a um centro de conveniência com moldes de uma oca indígena, dotado de bar, loja e escritório para informação turística com um conjunto de obras rústicas e características regionais. Tal projeto encontra-se arquivado em algum lugar, já que não houve ainda a vontade política necessária para implantá-lo.

Prosseguindo até o Véu da Noiva encontramos um paraíso popular inteiramente interditado, a Salgadeira, aguardando alguma providência do poder público, ou seja, a implantação de um projeto urbanizador para a área, organizando e disciplinando o seu uso para um público que busca o direito de usufruir da belíssima natureza existe no local.

Pode-se afirmar que esta segunda parada passa pelo principal cartão postal da Chapada dos Guimarães: o “Véu da Noiva”. Um acesso para veículo limitado ao portal de entrada que obriga o turista a uma longa e desconfortável caminhada. Cabe mencionar que a Secretaria de Turismo do Estado possui um projeto que contempla uma ampla sala de projeção e palestras, leitura, bares, restaurantes, mirante, estacionamento, trilhas organizadas e um gigantesco balão com efeito de mirante aéreo.

Continuando o nosso percurso até ao Mirante, patrimônio incorporado ao uso público que deve ser desapropriado pelo governo, observa-se uma desorganização total, tomada de ambulantes e nenhuma segurança para os visitantes. Observa-se, além disso, um discutível marco geodésico, uma vista deslumbrante e uma natureza soberba num espaço que exige a implantação de inúmeros projetos existentes, contudo arquivados.

A Copa do Mundo, neste contexto, nos obriga conviver com o primeiro mundo e nos preparar para receber um evento desta envergadura. Vale mencionar aqui que somos um Estado privilegiado com extraordinária potencialidade turística, entretanto, carente de infra-instrutora, de mão-de-obra qualificada e de produtos turísticos formatados para atender a demanda de um mercado altamente competitivo e exigente.

O estudo realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso, encomendado pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo da FIFA 2014- SECOPA, aponta para um universo de visitantes para os quatorzes dias entre os jogos da Copa, com uma presença que varia entre 44 mil a 78 mil pessoas, e uma estada média de quatro dias de hospedagem por pessoa.

O que significa, na prática, uma capacidade restrita em relação às áreas de visitação e reduzindo drasticamente o universo itinerário do turista. O que transfere, por conseguinte, para o Pantanal, para a Chapada dos Guimarães e para Nobres, a difícil tarefa de oferecer a estes visitantes uma experiência de alto nível, de modo que a imagem projetada para o mundo todo seja de um destino turístico diferenciado, organizado com uma natureza exuberante.

Em outras palavras, Mato Grosso precisa mostrar ao mundo nestes quatorze dias que tem atrativos, infra-instrutura e mão-de-obra qualificada necessárias para garantir experiência positiva aos visitantes traduzindo num aumento significativo do fluxo de turistas em nosso estado no período pós- Copa. Gerando, com efeito, criação de inúmeros empregos e renda decorrentes desta importante atividade econômica.

Por tudo isto se vê que é necessário e urgente implantar uma política de turismo para a Copa do Mundo de Futebol, focada nos objetivos que nos levaram a conquistar a Copa, ou seja, mostrar o Pantanal para o mundo e transformá-lo em roteiro internacional de turismo. Neste sentido, os recursos precisam ser aplicados com bom senso e tendo em vista a visibilidade proporcionada por um evento grandioso como este.

Em suma, o legado que a Copa do Mundo pode deixar para Mato Grosso depende de um trabalho objetivo e oportunista de preparação focados nestes projetos prioritários que devem estar prontos até 2014. O êxito depende apenas de vontade política.


Autor: AGRIPINO BONILHA FILHO


Comentários
O Jornal da Notícia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal da Noticia e um meio de comunicacao de propriedade da AMZ Ltda.
Para reproduzir as materias e necessario apenas dar credito a Central AMZ de Noticias