Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Família organiza protesto após criança autista ser hostilizada em cinema




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A família de Maria Eduarda Rosa, 9, organiza uma manifestação no próximo dia 12, em frente ao cinema do Goiabeiras Shopping, para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da inclusão social das pessoas com deficiência. Familiares afirmam que Eduarda foi hostilizada no Cinemark por ser autista.

Intitulada #saiadoburaco, a manifestação quer garantir a inclusão não apenas dos autistas, mas de todas as pessoas com deficiência nas atividades do dia-a-dia, realizadas por qualquer pessoa que não possui necessidade especial.

O caso contra "Duda", que também é cadeirante, aconteceu no último dia 29 de outubro quando ela, sua irmã Fernanda e a mãe Geisy estiveram no cinema para assistir o filme "Thor Ragnarok", na sessão das 17h30. Fernanda conta que a sessão estava lotada e que Duda estava muito empolgada com o filme, por conta das cenas de ação e luta.

 “A Duda se empolga e começa a gritar e chacoalhar. Essa é a forma dela de manifestar sua felicidade e animação. Não é algo que possamos controlar, ou mesmo acalmá-la”, explica.

O problema foi que, pouco mais da metade do filme, os outros espectadores começaram a se incomodar com o comportamento de Duda. “Foi possível escutar pessoas na sala de cinema, que não entendiam seu quadro clínico, e respondiam com: “Shhhhh”, “Pelo amor de Deus” e, no meio deles, surge um “Volta para o buraco de onde você saiu”, conta.

Fernanda diz ainda que o comentário foi “um choque”, pois a menina tem o hábito de ir ao cinema e, por mais que tenha sido criticada em outras ocasiões, nenhuma “manifestação foi tão abusiva e desrespeitosa”, disse.

“Mandaram uma criança de 9 anos com espectro autista voltar para o buraco de onde ela tinha saído. Imagine minha reação no momento. Meu sangue, instintivamente, ferveu”, conta.

Ainda segundo Fernanda, outra espectadora respondeu a ofensa explicando aos que gritavam que sua irmã era especial. “Olha que nesses 9 anos eu vi coisas, escutei coisas, fiz coisas e falei coisas, mas essa foi a coisa mais horrível da minha vida”, afirmou.

Ela diz ainda que entrou em contato com a polícia, via Ciosp, mas que disseram que nada se podia fazer e que era necessário procurar a gerência do cinema, que também afirmou que não tinha solução.

Preconceito - A gerência disse ainda se não teria como “acalmar” Duda, pois as outras pessoas queriam ver o filme. “O que aconteceu é preconceito. Eu tenho certeza de que se tivessem gritado para um negro o que gritaram, a polícia, a gerência e até as outras pessoas do cinema não iam ignorar, como fizeram”, lamentou.

Ao final do filme, segundo Fernanda, outros espectadores indicaram a mulher que teria ofendido a sua irmã, mas ela sequer comentou nada.

“Em uma tentativa frustrada de tentar identificar a sujeita, ela permaneceu atônita e não se manifestou. Afinal, as luzes tinham se acendido e a coragem some”, disse.

Para evitar que casos semelhantes aconteçam, a família de Duda vai realizar o protesto no dia 12, às 16h. A expectativa é reunir as pessoas que possuem familiares e amigos com algum tipo de deficiência ou apenas apoiem a causa.

“Não queremos sessões especiais, queremos a inclusão e respeito de toda a sociedade. Ela tem o direito de ir, vir e assistir o filme que ela quiser. Entendo que as manifestações dela possam incomodar alguns, mas com respeito e empatia situações como estas não ocorreriam. Não dá para deixarmos pessoas como a Duda no buraco por toda a vida”, encerrou.

Outro lado - A reportagem não conseguiu contato com a direção do Cinemark do Goiabeiras Shopping. No entanto, está à disposição caso algum responável pela empresa queira se manifestar sobre o episódio. A assessoria de imprensa do cinema também foi procurada e informou ao Gazeta Digital que só conseguirá dar um posicionamento sobre o caso na próxima segunda-feira (6). 

 


Autor: Karine Miranda com Gazeta Digital


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