No trabalho, a postura do diretor do hospital é austera, pedante. Em casa, para orgulho da mãe, o filho único se faz de “pegador” e tece comentários machistas sobre as mulheres. É só dentro de seu flat particular que Samuel dos Passos se revela: gay, recebe garotos de programa sarados, selecionados em sites de prostituição, e libera suas fantasias mais ocultas.
Foi para realizar os fetiches de seu personagem em “O outro lado do paraíso” que Eriberto Leão pintou a boca de vermelho e vestiu lingerie. Coisa que nunca tinha experimentado em mais de 20 anos de carreira.
— Nunca tinha vivido um personagem com essas características, o processo é bem diferente. Este é, talvez, o maior desafio da minha vida — relata o paulista de 45 anos, que nega qualquer desconforto em cena: — Não há, quando um ator mergulha na alma de um personagem. Confio no autor e na direção da novela.
Mais do que o burburinho que tais cenas surpreendentes causam nas redes sociais (“Eu soube, mas não tenho o hábito de acompanhar; prefiro focar no trabalho e na condução do personagem”, diz), Eriberto tem voltado sua atenção para a resposta de um público que se identifica com o que vê na TV. Contraditório, Samuel, além de homossexual, é homofóbico, não aceitando sua própria condição.
— Tenho tido um retorno muito forte. Recebo mensagens de pessoas que viveram esse dilema, e isso me toca muito. Fico feliz que muitos estão sendo tocados, de algum modo, pela trajetória e pelos conflito de Samuel. Sinto um prazer muito grande em vivê-lo e poder revelar essa alma — afirma Eriberto, que tem sua própria definição para o psiquiatra que não consegue superar a sua própria questão existencial: — Ele é uma bomba-relógio. Está escondendo muitas coisas há muito tempo. Uma hora, tudo virá a tona, né?
Por enquanto, o filhinho querido de dona Adinéia (Ana Lúcia Torre) tem conseguido enganá-la, tanto quanto sua eleita para tornar a farsa ainda mais convincente: a voluptuosa enfermeira Suzy (Ellen Rocche), que acredita ter encontrado o seu “tigrão”.
Apesar de sempre falhar na cama com a loura, o médico a levará para o altar. Mas, prazer mesmo, ele só terá nos encontros com o amante Cido (Rafael Zulu), na segunda fase da novela. Se será amor ou só tesão? — Isso nós vamos descobrir juntos — despista Eriberto.
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Autor: AMZ Noticias com G1