Segunda-Feira, 08 de Junho de 2026

Pedro Simon chama Pagot de traidor; Ministra Ideli Salvatti nega, em nota, pedido de favor




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Conhecido nacionalmente pela defesa contundente por transparência, o senador Pedro Simon (PMDB/RS), o mais antigo do Congresso, declarou nesta terça (28) que o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, perdeu a oportunidade de ser o salvador da CPMI do Cachoeira, criada pelo Congresso para investigar a ligação de contratos públicos com o grupo do contraventor. “Eu tenho muito respeito por vossa excelência, mas vossa excelência demorou, demorou e nos traiu. Respeito o seu posicionamento, mas não nos trouxe nada de novo. Quando o Maggi (senador licenciado Blairo do PR), seu amigo, dizia que o senhor estava intratável, que não dava para conversar, o relator não quis chamá-lo. Era o momento do senhor ter vindo. Esta CPI virou um acordo de líderes partidários”, disparou. Para o peemedebista, Pagot deveria ter sido convocado enquanto ainda demonstrava muita mágoa.

Após oito horas de depoimento, Simon avaliou que o ex-diretor-geral só falou o que era conveniente às empresas particulares para as quais presta serviços de consultoria. “O senhor está aqui hoje prestando serviço a empresas particulares, imagino que negocie com o governo. Se vossa excelência dissesse as coisas que imaginávamos, sairíamos daqui com isso resolvido”, criticou Simon. O senador insinuou que Pagot fez acordo com líderes do Governo Federal antes de depor e só denunciou Demóstenes Torres porque o ex-democrata foi cassado por suposto envolvimento com o grupo de Cachoeira.

“Não vi outro senador do PMDB aqui, nenhum líder do PT, não vieram porque sabiam que não daria em nada. Cá entre nós, o senador de Goiás também é cachorro morto. Eu cheguei a imaginar que através do seu depoimento iam aparecer estas coisas. Com o PT na presidência, com aquela biografia extraordinária, é muito pior que na época do mensalão”, bradou Simon. Para ele, o Senado e a Câmara perderam a personalidade em função da troca de interesses com o Executivo. “Nós estamos aqui numa comissão de faz de conta, onde os líderes se reuniram, fizeram as comissões e nós estamos aqui fazendo papel de bobos”.

Simon lembrou que o mensalão, considerado o maior escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), só chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em função das denúncias do deputado federal cassado na época Roberto Jefferson (PTB). “Ou ele falava tudo ou abaixava a cabeça. Há muito tempo o Senado e a Câmara não têm poderes de investigação, cassamos presidente, senador, mas empreiteiro e empresário não. Há um troca-troca entre os líderes”.

Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que chegou a classificar Pagot de “papai noel da Delta”, o ex-diretor-geral incorreu em, no mínino, três crimes, caso o relato seja verdadeiro, sendo um deles o de tráfico de influência. Pela manhã, o ex-diretor-geral havia confirmado a indicação de empreiteiras para contribuir com a campanha de Dilma. Ele repetiu que as doações eram legais. Segundo Pagot, algumas empreiteiras mostraram para ele, depois, comprovantes de doações à campanha presidencial do PT. Ele negou que tenha comparecido a uma reunião no QG da campanha petista, no Lago Sul, para tratar do assunto. “Imagino o que não significou para os empreiteiros, mesmo o senhor tendo feito particularmente, mas um telefonema do diretor-geral do Dnit! Imagino como isso possa ter sido interpretado por eles”, ironizou Simon. Onyx prometeu acionar Pagot judicialmente.

Antes do término da sessão, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), encaminhou nota ao Senado em que nega as declarações de Pagot. No início do depoimento, ele declarou que foi procurado no Dnit pela então senadora, derrotada na disputa ao Governo de Santa Catarina, para tratar de três convênios relacionados ao Estado que a petista representava. “No final da reunião, ela perguntou se eu poderia indicar empresas, respondi que não era possível e ela deve ter ficado contrariada”. Um dos membros da CPMI levantou a possibilidade de Pagot ser convocado para uma acareação com Ideli. “Não tem problema”, respondeu o ex-diretor-geral.


Autor: Hipernoticias


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