Os comerciantes do ramo alimentício presos na quarta-feira (8) alegam que foram covardemente torturados ao chegarem a Central de Flagrantes da Polícia Militar (PM). Após terem suas mercadorias apreendidas em ação da fiscalização da Prefeitura Municipal e serem detidos pela polícia, que acompanhava os fiscais, os dois irmãos afirmam terem sofrido sessão de espancamento por agentes da PM e da Força Tática. Em nota publicada ontem, a polícia diz que as lesões são decorrentes da resistência a ação policial.
Higor Ramalho de Souza e Eric Ramalho de Souza receberam o Semana7, com escoriações pelo corpo (como mostram as fotos abaixo). Ambos foram soltos hoje. Eles se envolveram em confronto com a PM durante a apreensão de pequis em uma banca móvel de um dos ambulantes que compram seus produtos, em frente a agência do Banco do Brasil. Ambos foram detidos e levados até a Central de Flagrantes para que a ocorrência fosse registrada.
Os dois contam que muitos policiais da PM e da Força Tática os submeteram a uma sessão de tortura. Algemados, Eric e Higor sofreram socos, pontapés entre outros golpes. “Jogaram uma garrafa de refrigerante cheia em mim”, afirma Higor, que chegou a ficar desacordado com o espancamento.

Segundo Higor, durante as agressões, os agentes da polícia gritavam: “aqui é polícia. Tem que respeitar polícia.”
Os dois microempreendedores, nascidos e criados em Barra do Garças, chamam a atenção para o fato de as alegações da polícia não se sustentarem. Eles mostram, no vídeo do confronto em frente ao Banco do Brasil, que Eric tentou acalmar o irmão e impedir que ele fosse agredido, mas não sofreu nenhum golpe. As escoriações em seu corpo são provas, segundo ele, de que houve agressão dentro da unidade da PM.
Eric rebate a acusação de que ele teria tentado retirar a arma de um PM. Ele afirma que não houve nenhum ato violento da parte dele. Higor também nega ter chegado ao local do confronto com a PM, já desferindo socos contra os agentes. Segundo ele, um policial o agrediu no rosto.
A versão da polícia é de que houve agressão por parte dos dois suspeitos e que por isso eles teriam sido contidos. Os comerciantes foram autuados por resistência à prisão, lesão corporal, desobediência, resistência e outros crimes.
Donos de um estabelecimento de comércio de verduras, legumes e frutas, Higor e Eric, sustentam suas famílias com o que ganham na venda dos produtos. Na época de colheita de pequi, bancas moveis vendendo a iguaria da região ocupam toda a cidade. Os irmãos fornecem pequi e outros produtos para pelo menos seis vendedores ambulantes.
A ação da fiscalização de Barra do Garças tinha como objetivo aplicar o Código de Conduta do município, lei complementar gerada pela atuação do Ministério Público de Mato Grosso. A determinação exige que não aja o uso irregular dos passeios, praças e logradouros públicos. A família, que cuida do estabelecimento e que fornece às bancas moveis, afirma não obstruir as calçadas, deixando 1,90 metros de largura sem obstáculos.
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Autor: Ronan de Sá com Semana7