O feminicídio ainda encontra alguns desafios para ser identificado em Mato Grosso. Um deles é a mensuração dos casos de violência contra a mulher tanto no âmbito doméstico quanto de gênero por meio de um sistema que filtre por natureza e pela motivação dos crimes, em especial os casos de feminicídio.
Este foi um dos pontos de discussão da Câmara Temática de Defesa da Mulher, que teve a primeira reunião realizada na ultima quinta-feira (10.11).
Dados registrados pelo 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que Mato Grosso é o segundo estado da região Centro-Oeste com o maior número de crimes violentos letais intencionais contra mulheres. Em 2016, foram ocorreram 1.172 mortes entre janeiro e dezembro. Traçar um perfil das vítimas e identificar o feminicídio, que inclui a violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, foi destacado como ponto de partida pela Câmara para avançar na elaboração de políticas públicas eficazes.
Atualmente, Mato Grosso não apresenta dados específicos sobre feminicídio, pois apenas a Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) faz a distinção entre feminicídio e homicídio. Segundo dados do Sistema de Registro de Ocorrências Policiais (SROP), obtidos pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEAC) da Sesp-MT, uma mulher foi assassinada a cada duas horas em 2016, totalizando 4.657 mulheres. O crime de homicídio tentado, no entanto, sofreu uma queda de 256 casos, entre janeiro e setembro de 2016, para 248 no mesmo período de 2017.
“A análise criminal é fundamental para nortear as ações, principalmente no que diz respeito à escolha da metodologia adequada para alcançar os resultados necessários”, ressaltou o secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia, que já pautou a demanda sobre mensuração dos casos junto à Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Sesp-MT, durante a reunião.
Só este ano, foram efetuados sete registros de feminicídio na DHPP, conforme a delegada, Juliana Palhares. “As últimas ocorrências me assustaram muito, e todas tiveram motivação de violência doméstica. Precisamos entender as falhas para propor ações e ter a consciência de que não é um problema da mulher, é nosso, é social”. A cabo Roseli Márcia do Espírito Santo, frisou que esta divulgação mais contundente do assunto é muito importante. “Os casos sempre ocorreram, mas quanto mais esclarecermos sobre os direitos das mulheres, mais avançaremos no combate a este tipo de violência”.
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Autor: AMZ Noticias com Assessoria