Filas de pessoas aguardando por atendimento em unidades de saúde. Nos corredores do Pronto-Socorro, pacientes se amontoam em macas. Na Farmácia de Alto Custo, faltam medicamentos. E a dívida do Estado com a saúde municipal beirando os R$ 44 milhões.
Em meio ao caos no setor, a secretária municipal de Saúde, Elizeth Araújo, lidera a Pasta considerada desde sempre uma das mais problemáticas da Capital. Além das dificuldades no Município, Cuiabá sofre com o “efeito dominó”, ocasionado pelas dificuldades enfrentadas na saúde pública do interior do Estado, que faz com que os pacientes de outras cidades sejam transferidos para a Capital.
Nos últimos meses, a quantidade de pacientes no Pronto-Socorro aumentou e a unidade tem atendido um número 168% maior que o adequado. Com a superlotação, o corredor também passou a abrigar dezenas de macas, nas quais os pacientes são colocados em leitos improvisados. A secretária lamenta.
“É triste. Eu passo por ali e aquilo me angustia. O prefeito Emanuel Pinheiro também sente uma angústia constante”, pontua. Em Cuiabá praticamente todos os serviços são municipais. Poucos são de gestão estadual, pois ou eles são próprios ou contratualizados pelo Município.
Quando perguntada o que acontece com a saúde pública de Cuiabá? Por que é um setor tão problemático? Ela foi enfática “A saúde pública em Cuiabá não é diferente das outras Capitais do Brasil. O que acontece aqui, especificamente, é que, diferente de Goiânia, São Paulo e outras Capitais, nas quais há serviços próprios do Estado, em Cuiabá praticamente todos os serviços são municipais”
Elizeth afirma que “Poucos são de gestão estadual, pois ou eles são próprios ou contratualizados pelo Município”, ao longo do tempo, o repasse do Ministério da Saúde, que é o repasse SUS [Sistema Único de Saúde], não tem mais conseguido pagar o custo da Saúde. A tabela não paga mais o custo da Saúde. Então, ao longo desses últimos anos, foi sendo necessário o aporte de contrapartida. Desde 2003, o Estado sempre tem portarias de complementação de recursos, de contrapartida para Cuiabá para auxiliar, sobretudo no Pronto-Socorro ou em outros serviços.
Segundo ela, de outubro pra cá, a gente não estava mais conseguindo receber essa contrapartida do Estado para o Pronto-Socorro. Além disso, as unidades filantrópicas, que realizam mais de 70% dos procedimentos de alta complexidade, entraram, há alguns meses, em um processo de redução da oferta de serviços, em decorrência de um não cumprimento de um acordo que tinham com o Estado desde 2014.
A secretaria afirma que que houveram várias reuniões e que o governador, dentro das possibilidades, assumiu o compromisso de pagar alguns valores de contrapartida. Houve acordo entre as filantrópicas e o governador, na Casa Civil, mas mesmo depois disso, houve dificuldades para cumprir em dia o repasse daqueles valores. Então isso impactou na resolutividade dos serviços. Os pacientes passaram a ficar superlotados no Pronto-Socorro, finalizou Elizeth Araújo.
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Autor: AMZ Noticias com Midia News