S�bado, 30 de Maio de 2026

Paratletas barra-garcenses são precursores do jiu-jitsu para-esportivo no mundo




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A recente vitória do paratleta Marcio Montiel, no primeiro campeonato de parajiu-jitsu do Brasil, no Rio de Janeiro, início de novembro, despertou a curiosidade para a modalidade para-esportiva da luta marcial em Barra do Garças. Desconhecido aos próprios habitantes da cidade do extremo leste mato-grossense, o fato de que o parajiu-jitsu está surgindo mundialmente a partir do município tampouco é conhecido em escala nacional ou global. A iniciativa é jovem e, entre tantas modalidades esportivas das artes marciais, só agora a versão adaptada do esporte começa a despontar da invisibilidade.

Até pouco tempo, no jiu-jitsu, pessoas com deficiência física enfrentavam atletas com plena mobilidade de seu corpo, em lutas demonstrativas. Foi assim que Elcirley Luz Silva, 43 anos, se apresentou no tatame pela primeira vez como paratleta, no final de 2014, em São Paulo. Barra-garcense, o atleta perdeu a perna em um acidente de trânsito, no início do mesmo ano. Ele já competia pelo esporte havia quase 20 anos, e teve que adaptar a luta à sua nova realidade. Elcirley chegou na maior capital do país, ao lado do amigo, o professor de jiu-jitsu Márcio Edson, paratleta de Canarana, ouro em Tóquio e em Los Angeles.

No início de 2015, os dois foram convidados a visitar Abu Dhabi, onde lutaram contra atletas em condições físicas “normais”. O jiu-jitsu é popular no conjunto de monarquias chamada de Emirados Árabes Unidos (UAE), que investe fortunas na prática do esporte.

A apresentação dos atletas, até então para-desportivos, despertou o interesse das autoridades árabes, que embora financiem o esporte em todo os Emirados, ainda não contavam com iniciativas do jiu-jitsu adaptado para pessoas com alguma deficiência. Essa primeira visita a Abu Dhabi marca o surgimento do parajiu-jitsu como modalidade esportiva, que difere da prática já existente, em vários cantos no mundo, por desporto.

“Já existiam pessoas que lutavam, participavam de competições, mas eram competições desiguais. Na verdade, essas pessoas iam ali para competir e passar uma mensagem”, explica Elcirley. Em Abu Dhabi, ao questionarem a ausência da inclusão de pessoas com deficiências no esporte, ele e Márcio foram desafiados pelo sheik Mohamed Biz Zayed Al Nahyan a estar à frente da guinada para-esportiva do jiu-jitsu no mundo.

A mensagem de união entre os praticantes do jiu-jitsu adaptado precisava chegar a todos os continentes. Para que a modalidade para-esportiva se estabelecesse, existia a necessidade de conectar os núcleos, até então isolados, de jiu-jitsu adaptado espalhados pelo mundo. Muitas vezes, em alguns países, a iniciativa se resumia a poucos praticantes, que se sentiam únicos na atuação dentro do tatame.

“Começamos os trabalhos buscando paratletas nas redes sociais e começamos a encontrar”, conta Elcirley, hoje medalhista de ouro em Tóquio, Los Angeles e Rio de Janeiro. Desde então, o faixa preta tem o apoio da Federação de Jiu-Jitsu dos Emirados Árabes Unidos (UAEJJF) para viajar o mundo, divulgando a modalidade e agrupando os paratletas. Pelo celular, hoje, ele tem contato com praticantes do jiu-jitsu adaptado no mundo todo.

 


Autor: AMZ Noticias com Semana7


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