O governador Pedro Taques iniciou o seu mandato em 1º. de janeiro de 2015 surfando numa onda de aprovação popular quase absoluta.
As contas públicas estavam bem, fora os problemas administrativos e jurídicos herdados tudo corria bem. Fez anúncios em linguagem de comando e escolheu o secretariado ao seu gosto pessoal.
A onda indicava tempos de transformação jamais vistos no Estado. Mas, política é a atividade humana mais instável que se pode imaginar.
Um ano depois, já enfrentava o inverno astral com a RGA dos servidores públicos, arranhões com os poderes e, finalmente, em 2017, o desgaste profundo na esteira das contas públicas.
Sem, dinheiro e mergulhado em crise profunda o governador experimentou sentimentos conflitantes como o isolamento político e a solidão. Não é o primeiro e nem será o último. Mas que dói, dói.
Recordo-me dos últimos meses do governador Júlio Campos, em 1986, assolado por crise financeira.
Seu sucessor, Carlos Bezerra, governou sob crises e desgastes crescentes do primeiro ao último dia. Silval Barbosa terminou sob extremo desgaste político e administrativo.
Antes, Dante e Blairo terminaram em níveis aceitáveis. No fim de 2017, o governador Pedro Taques começou a recompor a sua gestão muito desgastada.
Parece estar aprendendo com a dor o melhor caminho de navegar em tempos de crises diversas que vão do desgaste institucional até a relação difícil com os poderes.
Ao aprovar a Proposta de Emenda do Tetos de Gastos, pode ver a chance de recompor as contas públicas em 2018. O desgaste da RGA foi menor e a relação com os poderes começa a se recompor.
O desespero pra não atrasar salários levou-o a um esforço imenso em Brasília pra levantar a tempo os quase R$ 500 milhões do FEX e de divida antiga da Conab.
Esteve lá sucessivas e vezes e terá que voltar outro monte de vezes pra viabilizar o exercício de 2017 no azul. Do que foi lembrado no começo deste artigo, Pedro Taques está passando por um severo aprendizado.
Bastante solitário luta em Brasília, junto a uma morna bancada federal, pra aprovar a Medida Provisória que liberará o FEX. Antes tarde do que nunca. Mas o Pedro Taques que entrará em 2018 será muito diferente de 2015. Três anos duros de pancadaria. Por isso, o título deste artigo.
Não é possível governar apenas com desejos pessoais. O Estado é uma máquina política muito complicada cheia de interesses e de cenários que mudam a todo momento. Não admite ser governador por dogmas.
*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
Autor: Onofre Ribeiro