Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Jovens negros de Mato Grosso têm 03 vezes mais chances de morrer que brancos




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A chance de um jovem negro morrer em Mato Grosso é quase três vezes maior que a de um jovem branco. É o que aponta Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, divulgado ontem pela UNESCO e Secretaria Nacional de Juventude. Em Mato Grosso a taxa de homicídios de negros é de 84,0 a cada 100 mil habitantes, enquanto a de brancos é de 31,9 a cada 100 mil.

O estudo aponta que Mato Grosso possui indicador de 0,399 em relação a desigualdade racial, considerado de média vulnerabilidade. O risco relativo de homicídios entre negros e brancos no Estado é de 2,63. No Brasil a taxa de mortalidade de jovens negros foi de 86,34 para cada 100 mil jovens negros na população, contra 31,89 para jovens brancos. A situação mais preocupante é a do estado de Alagoas onde um jovem negro tem 12,7 vezes mais chances de morrer assassinado do que um jovem branco. Na Paraíba essa diferença é de 8,9 vezes, também muito alta.

Em Mato Grosso o indicador violência e desigualdade racial que chegou a 0,399 é composto pelo indicador de mortalidade por homicídio que ficou em 0,256. O indicador de mortes no trânsito alcançou 0,580, o indicador freqüência à escola e situação de emprego foi de 0,628. O indicador de pobreza chegou a 0,295, desigualdade 0,244.

O estudo mostra que em 24 Unidades da Federação brasileira a chance de um jovem negro morrer assassinado é maior do que a de um jovem branco. Os três estados que não estão nesta situação são o Paraná, onde a taxa de mortalidade de jovens brancos é superior aos valores registrados entre jovens negros, o estado do Tocantins, onde o risco é bastante próximo, e o estado de Roraima, que não registrou nenhuma morte de jovem branco no período, o que impediu o cálculo do risco relativo.

O levantamento abrange as jovens e os jovens brasileiros de 15 a 29 anos. O resultado mostra que a chance de um jovem negro ser assassinado é quase três vezes (2,70) superior a um jovem branco na mesma faixa de idade. Em 2015 ocorreram mais de 30 mil mortes por homicídio na faixa etária de jovens negros e brancos entre 15 e 29 anos, representando 52% de todos os homicídios do país.

Antonieta Luisa Costa presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Mato Grosso confirma a falta de inclusão. ”Os dados significam que dentro de todo processo histórico que a gente viveu, construímos a base histórica deste país. Apesar de fazermos parte de todo este contexto não somos incluído. Significa dizer que não temos políticas públicas e as que tem não estão contemplando porque está acontecendo tudo isso. Estamos cansados, sabemos que somos mais vulneráveis, mas não basta só isso”, frisa.

A presidente do CEPIR enfatiza que são necessárias políticas públicas que de fato vão atender os negros. “Só mudamos o quadro da violência quando começarmos a propor. Não basta só dizer que somos vulneráveis, já sabemos disso. As vítimas são diárias, precisamos que o Governo nos atenda”.

Antonieta ressalta que para isso precisamos incluir as pessoas e de forma digna, e o primeiro passo é a educação. “Precisamos escutar agora qual a mudança que vai acontecer. Os movimentos estão propondo. Precisamos discutir as igualdades de direitos que com isso conseguiremos mudar as coisas. Quando surgi uma pesquisa é uma voz que surgiu, mas é uma voz que não se cala a muito tempo”, afirma.

Dados - A violência atinge especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos. Dados do Atlas da Violência 2017 (IPEA, FBSP) mostram que mais da metade das 59.080 pessoas mortas por homicídios em 2015 eram jovens (31.264, equivalentes a 54,1%), das quais 71% negras (pretas e pardas) e 92% do sexo masculino.

 


Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba


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