A população prisional feminina aumentou quase 20% nos últimos dois anos em Mato Grosso, conforme informações da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT).
De acordo com os dados, em 2016 o número de mulheres presas nas cadeias do Estado representavam 491 prisões. Já em 2017, até o mês de outubro 578 mulheres estavam detidas nas unidades femininas de Mato Grosso, sendo que 180 deste total estavam na Penitenciária Ana Maria do Couto e as restantes distribuídas nas cadeias de Cáceres, Colíder, Nortelândia, Nova Xavantina, Tangará da Serra e Rondonópolis.
Neste mês de janeiro, 535 mulheres permaneciam detidas nas sete unidades prisionais, o que significa que apenas 43 haviam conseguido liberdade na Justiça.
Conforme o último levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas, com números fornecidos pelo Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), o tráfico de drogas continua sendo responsável por 60% das prisões femininas em todo o país. Em Mato Grosso, a situação também permanece com o entorpecente liderando o número de prisões, seguidos de furto 15% e roubo 11%.
Ainda conforme o relatório do Infopen produzido pelo Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça, o período de 2000 a 2014, o aumento da população prisional feminina foi de 567,4%, enquanto a média de crescimento masculino, no mesmo período, foi de 220,20%, refletindo, assim, a curva ascendente do encarceramento em massa de mulheres no Brasil.
Em torno de 58% dessas mulheres possuem vinculação penal por envolvimento com o tráfico de drogas não relacionado a grandes redes de organizações criminosas. A maioria delas ocupa uma posição coadjuvante nesse tipo de crime, realizando serviços de transporte de drogas e pequeno comércio; muitas são usuárias, sendo poucas as que exercem atividades de gerência do tráfico.
Para se ter uma ideia em como o número de prisões femininas é oscilante no Estado, a reportagem conseguiu os dados com a Sejudh-MT desde o ano de 2011.
Na avaliação do professor e sociólogo Naldson Ramos, membro do Núcleo de Violência e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o espaço da mulher hoje na sociedade se tornou mais visível e ampliou em todos os setores, inclusive no crime.
Então nada mais natural do que este público estar presente em todas as áreas da vida produtiva, como por exemplo, na faxina, empresas, meio judiciário e ainda na política.
“Antigamente a participação da mulher no crime era quase nula. Em 1990, o número chegava a 1%. Só que o mercado de trabalho ainda continua preconceituoso com a presença feminina e isso dificulta ingressar no mercado de trabalho. Agora, o que percebemos também é que a maioria das mulheres que entram para esta vida é porque não tiveram oportunidade de estudo, profissionalização, famílias desestruturadas e acabam não tendo outra opção a não ser ir para o mundo do crime”.
Conforme Naldson, o Comando Vermelho como outras organizações criminosas recruta homens e mulheres. Em muitos casos, isso acontece porque o marido foi morto ou preso e elas acabam assumindo o comando no lugar do esposo, como chefe da boca de fumo, liderança em um grupo criminoso ou ainda ser responsável pela compra e revenda de entorpecentes.
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Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá