O juiz Murilo Moura Mesquita, da 11º Vara Criminal Especializada da Justiça Militar da Comarca de Cuiabá, deu início na manhã desta sexta-feira (9) às audiências de instrução da ação penal que investiga militares presos por suposto envolvimento no esquema de escutas telefônicas clandestinas operado em Mato Grosso.
São réus do esquema o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista; e o cabo Gérson Correa Júnior. Dos cinco, apenas Zaqueu e Gérson continuam presos. Durante a audiência, o juiz Murilo Moura determinou o levantamento do sigilo do processo.
Ex-secretário é ouvido - O promotor de justiça e ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Mauro Zaque, é uma das testemunhas arroladas no processo e foi o primeiro a ser ouvido na manhã de hoje.
Ele foi o autor da denúncia dando conta de que os “grampos ilegais” estavam sendo realizados pela alta cúpula da Polícia Militar de Mato Grosso.
No início de seu depoimento, Zaque disse que tomou conhecimento da prática de “barriga de aluguel” por meio de uma denúncia que lhe foi entregue em um envelope fechado, mas não lhe cabia a investigação dos fatos.
Desta forma, reiterou ter relatado os fatos ao governador Pedro Taques (PSDB), inclusive fazendo uma apresentação em power point. Ele disse também que cabia ao governador determinar o afastamento de possíveis envolvidos na prática ilegal.
“Como secretário de Estado, não podia apurar os fatos. Fiz um relatório e encaminhei ao governador Pedro Taques. Como não vislumbrei nenhuma investigação, pedi para deixar o Governo”, lembrou o secretário.
“Juiz apontou armação” - Ainda no seu depoimento, o promotor afirmou que esteve em Cáceres para falar com o juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira – que autorizou interceptações telefônicas por meio das quais foram feitas a “barriga de aluguel”.
"Fui várias vezes a Cáceres como secretário. E a única vez que estive lá para tratar desse assunto foi para falar com o juiz Jorge Alexandre. Disse a ele que tinha tomado conhecimento dessa situação. Ele se mostrou muito chocado, disse que foi enganado, que haviam armado aquilo para ele. Eu disse que sabia e que havia levado para o governador tomar providências”, afirmou Zaque.
“Interesses eram evidentes” - O ex-secretário afirmou que as interceptações ilegais não guardavam qualquer relação com um possível desvio de conduta de policiais militares envolvidos no caso.
“Isso não era para atender interesse da Polícia. Os interesses eram outros. Estava evidente a atuação de ex-secretários de Estado. Esses não foram atos praticados pela Polícia. A corporação foi usada para outros interesses”.
“O que eu vi de imediato é que havia barriga de aluguel e verificando quem era as vítimas e eram evidente os interesses”, afirmou o ex-secretário.
Entre as vítimas da chamada “grampolândia”, estavam políticos de oposição ao Governo, como o ex-candidato ao Palácio Paiaguás, jornalista José Marcondes Muvuca, e a deputada estadual Janaina Riva (MDB).
Autor: AMZ Noticias com Midia News