A falta dágua ainda é um problema na maior parte dos bairros de Pontal do Araguaia. A população não para de reclamar nas redes sociais, revoltada com a situação que já completa seis dias. Segundo a prefeitura, o problema é fruto de uma sabotagem no sistema de captação, que foi encontrado danificado no último fim de semana.
“Para comer tem que comprar marmitex e para beber tem que comprar água mineral. É um absurdo”, desabafou em um vídeo publicado no Facebook Claudenice Parente, moradora do bairro Maria Joaquina Três. Segundo ela, as crianças não foram a escola na manhã de hoje, porque não tem água para tomar banho.
Segundo o morador Raniery Gonzaga, no bairro João Rocha houve falta de água por dois dias, durante o final de semana. “As roupas da família ficaram dentro da maquina, sem lavar. Tivemos que comprar água mineral.” Ele relata que hoje, pela manhã, chegou apenas um pouco de água.
É no ambiente digital que a população tem encontrado espaço para se manifestar, desde o primeiro dia de Carnaval, quando a falta dágua começou. Até o momento, a crise não mobilizou os parlamentares do município. Sem oposição na Câmara Municipal e com um grande bloco de sustentação do governo, o prefeito Gerson Rosa não recebeu nenhuma crítica publicamente por parte de nenhum vereador. A solução do problema de abastecimento foi uma de suas cartadas durante a campanha eleitoral, que após um ano de gestão ainda não foi resolvida.
A administradora do Serviço Municipal de Abastecimento de Água e Esgoto, Waléria Santos de Souza, declarou que está tentando resolver o problema o mais breve possível. “Tão logo a gente consiga solucionar o problema, a gente retorna aos serviços normais de distribuição de água.” Mas segundo informações, uma nova bomba de captação ainda não foi adquirida.
A falta de abastecimento no município é um problema recorrente, de todos os anos, e que se intensifica no período da seca. O que assustou a população foi o fato de não ter água em pleno período de chuvas, enquanto o nível do rio Araguaia atinge seus índices máximos de vazão. Moradores rebatem a justificativa da prefeitura de ter ocorrido uma sabotagem. Segundo eles, sempre há uma desculpa para a falta dágua, que é um problema já de outras gestões municipais.
Até a própria prefeitura assume que a solução seria uma nova estação de captação, com capacidade para atender a demanda do município, no valor de R$ 1,3 milhões. O atual sistema de água não teria acompanhado o crescimento da cidade, por isso não consegue distribuir adequadamente e nem lidar com adversidades, como a danificação de algum dispositivo.
Segundo a ex-prefeita Divina Oda, sua gestão deixou empenhada uma emenda de R$ 500 mil, do deputado federal Valtenir Pereira, para aplicação no sistema de abastecimento. Até o projeto da obra já estaria finalizado. Outros R$ 500 mil em emenda acertados para 2017 seriam do senador Wellington Fagundes. Mas segundo Divina, a administração de Gerson teria perdido o prazo para empenhar o valor.
Sabotagem - A Polícia de Roubos e Furtos deve investigar o ocorrido na estação de captação de água, que abastece o município de Pontal do Araguaia. Segundo a prefeitura, o fato que deixa a população sem água desde o último sábado foi fruto de sabotagem.
No boletim de ocorrência consta que, na madrugada da última sexta-feira para sábado (10), suspeitos não identificados furtaram o registro da captação de água. O dano impossibilitou o funcionamento da bomba e agora a captação depende do dispositivo reserva, que não consegue abastecer adequadamente todo o município.
Segundo declarações do coordenador de Comunicação, Ualison Magalhães Silva, o local foi encontrado adulterado, “com peças no chão e algumas até mesmo queimadas”. Ele afirmou que o município não conseguiu fazer o reparo por causa do feriado prolongado.
Agora polícia investiga o ocorrido na estação de captação, sobre o rio Araguaia. O Semana7 entrou em contato com a ex-prefeita Divina Oda, proprietária do terreno que dá acesso à captação. Segundo ela, não houve nenhuma movimentação em sua chácara, além da entrada dos próprios funcionários do serviço de abastecimento.
O outro acesso ao local é através do rio. A ex-gestora vê com estranheza a possibilidade, porque, segundo ela, parte da plataforma é protegida por tela, o que dificultaria a entrada de qualquer pessoa que não tenha a chave.
Autor: Kaic Alves com Semana7