Por quatro meses, as recapadoras pneus em Mato Grosso acumularam carcaças inservíveis, pela falta de empresa que pudesse recolher e fazer a destinação correta dos resíduos, conforme a resolução 416/09 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
A determinação estabelece que fabricantes e importadoras devam fazer a coleta, por causa disso o projeto das indústrias de pneus, Reciclanip começou a coletar as carcaças desde a última segunda-feira (28/02), a pedido do Sindicato das Indústrias de Reciclagem de Mato Grosso (Sindirecicle-MT).
Apenas uma recapadora em Várzea Grande destinou mais de 40 toneladas de pneus de caminhão que estavam guardados no depósito da empresa, relata o gerente do estabelecimento, Jorge Cruz. “Os pneus passam por uma análise pelos nossos técnicos, caso estejam em um estágio muito ruim, não é possível recapar. Desta maneira ficamos com o pneu do cliente com objetivo de destinar corretamente e evitar a poluição da cidade”, explicou. Os resíduos dos pneus poderão virar asfalto ou combustível.
Ao todo, são 50 reformadoras de pneus em Mato Grosso. Junto elas reformam 30 mil pneus e recolhem mais de 60 mil. De acordo com o presidente do Sindirecicle-MT, Fabrício Margreiter, o trabalho das empresas é fundamental para a limpeza da área urbana e do meio ambiente. “Além de proporcionar o pneu recapado a um custo três vezes menor do que o novo e com isso gerar empregos, o nosso negócio é indispensável para a vida na cidade, porque é assustador pensar para aonde iriam esses pneus descartados incorretamente”, afirmou.
ICMS inviabiliza reforma - Pneus descartados no meio ambiente podem servir de criadouros de mosquitos. Segundo dados do Boletim Epidemiológico da Dengue, Chikungunya e Zyka, divulgado pela área de Vigilância da Saúde, de janeiro a dezembro de 2015 foram registrados 28 mil casos dessas doenças em Mato Grosso. O número representa um aumento de 143% em relação ao mesmo período de 2014.
Apesar dos benefícios trazidos pela reforma e os dados alarmantes do Estado, em 2014 houve um aumento de 4% para 22% no valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), na matéria prima usada na reforma de pneus. Para o presidente do Sindirecicle-MT, Fabrício Margreiter, os impostos vão resultar no fechamento de algumas empresas.
“O setor emprega hoje 3 mil funcionários, todas as reformadoras mato-grossenses apresentam a mesma dificuldade ao tentar sobreviver aos impostos da reforma. A maioria das unidades da federação pagam entre 4% a 5% de ICMS na matéria prima, o que torna a concorrência desleal entre os estados. Com o fechamento das reformadoras, casos como dengue e zyka tendem a aumentar”, alertou
Autor: AMZ Noticias com Assessoria