Os pacientes prematuros recém-nascidos permanecem internados no hospital de Barra do Garças. Secretaria de Saúde de Aragarças alega não ter havido negligência no atendimento
Os gêmeos prematuros, que nasceram em Goiânia, tiveram que ser internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Barra do Garças, mesmo morando em Aragarças. O estado de saúde delicado das crianças e segundo a mãe das crianças, nem uma ambulância foi oferecida por Aragarças para que os gêmeos fossem levados a UPA. De acordo com os médicos, os dois, nascidos com 35 semanas, precisam ser encaminhados a uma UTI neonatal. Até o momento a unidade de referência em Goiânia não tem vaga para os recém-nascidos.
Nascidos em Goiânia, no dia 5 de março, os gêmeos receberam alta três dias após o parto e a família pode voltar para Aragarças. Alguns dias depois, com as crianças apresentando problemas de saúde, os pais tiveram que buscar por atendimento, mas não conseguiram em Aragarças. A saída foi a UPA, que encaminhou os bebês para o Hospital Municipal.
O quadro das crianças é estável, mas os médicos confirmam a necessidade de uma UTI neonatal. Segundo nota da Secretaria de Saúde de Barra do Garças, o município não pode encaminhá-los para Cuiabá ou Rondonópolis, porque, devido à moradia e ao atendimento dos pacientes em Goiás, a regulação deles são feitas no estado.
A mãe das crianças, Luzia Francisca de Jesus, contou ao Semana7 que, inicialmente, procurou o Pronto-Socorro de Aragarças. Lá as crianças receberam oxigênio e a mãe foi orientada a leva-los a UPA de Barra do Garças. Luzia diz que ouviu de uma funcionária do hospital a orientação de que ela não devia contar que o hospital atendeu os gêmeos, devendo alegar que foi direto à UPA.
A versão da mãe difere do que disse à reportagem o secretário de Saúde de Aragarças, José Fabio. Segundo ele, que não atendeu a ligações, mas respondeu o Semana7 por mensagem, os pacientes foram direto para a UPA e não passaram pelo hospital do município goiano. Ele garante que “em nenhum momento houve negligência no atendimento.”
Desde então, há 6 dias, as crianças estão internadas, esperando duas vagas em uma UTI neonatal em Goiânia. A prefeitura de Aragarças afirma que só poderá encaminhar os pacientes à capital quando as vagas estiverem liberadas.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Barra do Garças orienta urgência no encaminhamento das crianças. “Os recém-nascidos não correm risco de morte, mas possuem indicação de manutenção de UTI neonatal, para o adequado amadurecimento pulmonar e jamais deveriam ter recebido alta do Hospital Materno Infantil de Goiânia/GO, de forma prematura, como ocorrera.”
A nota também destaca que Barra está enviando relatórios diários à Assistência Social do Hospital Municipal Getúlio Vargas (em Aragarças), para facilitar a regulação dos pacientes no hospital de referência, em Goiânia. Segundo a Secretaria de Saúde, a responsabilidade sobre os gêmeos compete à Goiás.
O fato comoveu a região nos últimos dias e despertou a solidariedade de algumas pessoas. O empresário Odilon Fonseca gravou um vídeo para mobilizar a população a cobrar providências das autoridades. “O município de Aragarças e Goiás deixou a desejar no atendimento aos pacientes”, opina. Ele diz ter cobrado uma solução também a Secretaria de Saúde de Mato Grosso. A expectativa é que, mesmo não podendo se responsabilizar por um paciente de Goiás, o estado tome alguma atitude pela vida das crianças.
Autor: AMZ Noticias com Semana7