Jornal da Notícia
  Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Arqueólogos descobrem “núcleo perdido” dos primeiros habitantes de Mato Grosso




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Com a ajuda de imagens de satélite, arqueólogos do Brasil e do Reino Unido identificaram mais um grande núcleo de povoamento que existiu na Amazônia antes da chegada dos portugueses. Eram aldeias fortificadas com fossos e dotadas de estradas na região das cabeceiras do rio Tapajós (noroeste de Mato Grosso), que parecem ter alcançado seu auge entre os anos 1200 e 1500 d.C., conforme indicam escavações em alguns dos sítios arqueológicos.

A equipe, liderada por Jonas Gregorio de Souza, brasileiro que trabalha na Universidade de Exeter (sudoeste da Inglaterra), usou os dados das aldeias recém-descobertas para estimar quantos eram os habitantes da região no período imediatamente anterior ao contato com os europeus. Na conta deles, teriam sido entre 500 mil e 1 milhão de pessoas (calcula-se que havia pouco menos de 10 milhões de habitantes em toda a Amazônia no mesmo período).

Descobertas como essa, publicadas com frequência cada vez maior desde o começo do século 21, têm transformado a visão que os arqueólogos tinham sobre o passado amazônico. Poucas décadas atrás, prevalecia a visão de que o solo e o clima da maior floresta tropical do mundo não teriam sido favoráveis ao desenvolvimento de populações numerosas, sedentárias e construtoras de monumentos. As limitações ambientais da região teriam levado seus habitantes a adotar organizações sociais de tamanho modesto, de grande mobilidade e pouca ou nenhuma hierarquização política.

URBANISMO NA FLORESTA - Desde então, porém, o trabalho de arqueólogos em quase todas as regiões da Amazônia deram cada vez mais peso à ideia de que havia populações densas, exploração intensiva da agricultura, da pesca e dos recursos naturais da floresta e até uma forma peculiar de "urbanismo" amazônico, com super-aldeias dotadas de centros cerimoniais e redes de estradas conectando essas "capitais" a aldeias menores.

Tais achados são especialmente impressionantes no Alto Xingu (nordeste de Mato Grosso). Já no extremo oeste amazônico, no atual território do Acre e de parte do Amazonas, imagens aéreas permitiram a identificação de mais de 500 dos chamados geoglifos - desenhos geométricos no solo, às vezes com vários quarteirões de diâmetro, que só ficaram visíveis agora graças ao desmatamento moderno. Tudo indica que os geoglifos correspondem a antigos centros rituais, alguns com mais de um milênio de idade, produzidos durante derrubadas efêmeras da mata.


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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