Os deputados estaduais Wagner Ramos, Pedro Satelite, Gilmar Fabris e Ondanir Bortolini irão deixar o Partido Social Democrático (PSD). A decisão foi tomada na tarde de ontem, quarta-feira (04), após uma reunião da bancada com o vice-governador Carlos Fávaro, presidente da legenda em Mato Grosso.
Os parlamentares querem permanecer na base governista, mas a sigla está cada vez mais distante do governador Pedro Taques (PSDB). Por conta disso, tomaram a decisão de aproveitar a janela partidária e irão deixar a legenda até este sábado, dia 07.
O principal motivo seria o mal-estar entre Fávaro e o governador, que piorou após a polêmica do projeto de lei que visa criar um rito para a sucessão da cadeira de governador.
O fato de, na semana passada, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Leonardo Albuquerque (PSD), ter pedido vistas da mensagem gerou revolta no vice-governador. Isto porque, o projeto era de interesse de Fávaro e também do presidente da Casa de Leis, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM) e reflete no pleito de outubro deste ano.
Isso estaria excluindo as possibilidades de o PSD permanecer na base do governo na eleição de 2018. A prova que o clima no Palácio Paiaguás não está bom é o ofício encaminhado por Fávaro ao governador na última segunda-feira (03), no qual ele comunicou o tucano sobre a independência do PSD perante o Governo do Estado no que tange a eleição de 2018. Além disso, ele informou também que o partido entregaria todos os cargos que possui na atual administração.
O referido projeto foi apresentado por lideranças partidárias, e tramita no Parlamento Estadual desde o mês passado. Quando remetido ao crivo do plenário da Casa de Leis, na semana passada, Albuquerque pediu vistas da mensagem.
Na prática, a proposta regulamenta a substituição do governador em caso de viagens do mandatário. Atualmente, a legislação eleitoral determina que, aquele que, por ventura, assumir o cargo de governador no período de seis meses antes da eleição, fica impedido de concorrer a outros cargos no pleito do mesmo ano, podendo apenas entrar na disputa ao Governo.
Desta forma, caso Fávaro assuma o comando do Palácio Paiaguás em substituição a Taques, ele não poderá dar seguimento ao seu projeto de concorrer a uma vaga no Senado Federal neste ano, a não ser que renuncie ao cargo de vice-governador.
Diante disso, um grupo de deputados se reuniu e apresentou o projeto que tem o intuito de derrubar este impedimento, obrigando o governador a informar sobre a sua ausência 48 horas antes.
O principal objetivo do projeto é evitar a transmissão automática do governo ao vice-governador ou ao presidente da Assembleia Legislativa, o que seria um entrave às candidaturas deles nas eleições deste ano.
Na última segunda-feira, Albuquerque entregou um substitutivo integral ao projeto, onde manteve a necessidade do aviso prévio, mas só para viagens internacionais e quando o governador se ausentar por mais de 24 horas.
Diante disso, Botelho estaria sendo pressionado a garantir a aprovação do projeto original, tendo em vista que ele também está na linha sucessória do governador.
Por conta dessa “briga” entre Fávaro e Taques, os deputados do PSD optaram por deixar a legenda. Os destinos mais prováveis são PSB, PPS e Solidariedade que já declararam apoio à reeleição do gestor tucano.
Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital