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  Terca-Feira, 20 de Janeiro de 2026

ARTIGO - A pergunta das urnas – Eleições 2012 da OAB de Mato Grosso - Por Eduardo Mahon




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Todos os advogados, sem exceção, devem saudar o novo presidente eleito da instituição, Maurício Aude. Suas qualidades o ressaltam, conforme vimos na campanha; nome e discurso leve o precediam. É pena que, embevecido pela vitória, tenha claudicado em sua primeira declaração, em artigo escrito logo após o resultado. O presidente eleito escancara arrogância afirmando que o projeto encarnado por ele está correto, é mais coerente, é mais exequível, pelo sufrágio das urnas. Portanto, importa reconhecer apenas o que a maioria diz. A ovação tanto seduz como ensurdece.
Lamentavelmente, a gestão não entende que vem sendo reprovada por índices de 40 a 45% dos votos, de eleição para eleição. Essas vozes parecem insuficientes para serem ouvidas e a “resposta das urnas”, havendo vitória, é justificativa suficiente para não mudar. Ignorou Aude e seu grupo hegemônico o que as urnas perguntaram e preferiu escutar apenas o aplauso. Ignoraram milhares de jovens advogados, colegas do interior, do setor público e tantos outros da capital. O presidente eleito deixou passar uma oportunidade de ter a grandeza e humildade para abraçar plataformas alheias, preferindo afirmativas sobre o que ‘dá certo’, na própria ótica, como se fosse bom enxergar com um único olho.
Talvez Aude esteja certo numa constatação: o projeto da situação é mais coerente. Foi essa a palavra que marcou a campanha, por ressaltar uma diferença perceptível a olhos desarmados. De fato, indicar e apoiar em bloco um único candidato é muito menos traumático do que construir a oposição com vários ideais e posicionamentos diferentes. A oposição precisa aprender com Aude para não cometer os mesmos erros apontados por ele, porque parece que somente as urnas são capazes de dar respostas a esse grupo, de nada valendo as perguntas que pautam a campanha.
O que o ‘magistério de Aude’ nos ensina a todos é formar coalisões coerentes, estáveis, duradouras e coletivas. É preciso ter modéstia para reconhecer essa grande lição que é lançada, entre bravatas, gritos e alguns discursos impublicáveis do alto de carros de som. É claro que a humildade deveria ser a mesma, ao estender a mão para todos os advogados e não para, neste momento, aplicar-lhes lição alguma. As arestas que surgem em declarações precipitadas e arrogantes são talhadas gratuitamente, o que prejudica a Ordem dos Advogados porque afastam muitas contribuições.
Num gesto de boa vontade, podemos compartilhar com o recém-eleito algumas de nossas ideias de modo que possa implementar a renovação que tanto promete: 1) fim da cláusula de barreira, a fim de garantir a integral participação do jovem advogado; 2) consulta direta na formação do quinto constitucional e das indicações em cargos públicos; 3) tomada pública de preços para a contratação de serviços e aquisição de bens; 4) desincompatibilização dos cargos nos seis meses que antecedem a campanha eleitoral; 5) aplicação do regramento eleitoral comum às eleições da própria entidade; 6) orçamento participativo em assembleias, abrindo a possibilidade para a consulta às subseções; 7) fiscalização real do ensino jurídico a coibir o estelionato educacional; 8) comitê para fiscalização da prestação jurisdicional com elaboração de relatório público a ser enviado ao TJMT e ao Conselho Nacional de Justiça; 9) Abertura de novas subseções do interior, considerando o crescimento da advocacia; 10) afastamento cautelar imediato de cargos e funções de qualquer investigado, denunciado ou condenado criminalmente por atos ligados à advocacia ou, de qualquer forma, ao serviço público.
Atendendo a esta pauta, nosso presidente eleito provará que representa renovação não só de nomes, mas de posturas. Quem sabe esse grupo eleito retorne a abraçar movimentos civis organizados de combate à corrupção? Aos milhares de advogados que se engajaram na oposição, conclamamos atender à lição de Aude: mais união e coerência. Como pontifica, o fratricídio pré-eleitoral “não dá certo”. Precisamos de uma proposta madura que ofereça alternativa exequível aos advogados que querem mudar e a outros tantos que precisam de segurança para dar esse passo. Somente então, poderemos realizar o que não conseguiram até hoje.
(*) EDUARDO MAHON é advogado em Mato Grosso e colaborador de HiperNoticias.


Autor: Eduardo Mahon / Hipernoticias


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