A 8 dias para o início da retirada dos cerca de 7 mil posseiros que habitam há mais de 30 anos na Gleba Suiá Missu, em Alto Boa Vista, foi cancelada a reunião entre o governador Silval Barbosa (PMDB) e o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, marcada para esta terça (27). No encontro seria apresentado o relatório sobre a situação da área, considerado vital para a solução do impasse.
Ao tomar conhecimento da reunião, no entanto, representantes do Ministério Público Federal (MPF) pediram a suspensão devido à mudança de comando do Supremo. Na semana passada Carlos Ayres Brito deixou a Corte e Joaquim Barbosa foi empossado novo presidente. Dessa forma, o processo foi remanejado e acabou caindo nas mãos do ministro, tido como mais linha dura do STF.
A audiência havia sido articulada pelo senador mato-grossense Cidinho dos Santos (PR). Silval já estava em Brasília. O conflito entre índios e posseiros se intensificou há duas semanas, após decisão judicial que determinou a saída das famílias da área a partir de 6 de dezembro. Na última sexta (16), inclusive, a tensão tomou conta da região quando a soldados da Força Nacional de Segurança e a Polícia Federal deram início a notificação dos produtores.
Segundo a Funai, os índios foram retirados da área em 1967 pelo Governo Militar e os 165 mil hectares de terra vendidos a uma multinacional italiana. Em 1992, contudo, ao saber que o local pertencia aos índios, a empresa teria devolvido o imóvel ao Governo brasileiro e os posseiros começaram a chegar. Muitos produtores têm escritura das áreas, mas a Funai afirma que o documento não tem validade.
O relatório que seria apresentado no encontro, por sua vez, diz que os índios nunca moraram na região. Para solucionar o impasse, o Governo do Estado já se prontificou a ceder outra área para os indígenas, com mais fauna e flora e toda a infraestrutura necessária e aguarda um posicionamento da justiça sobre pedido de reconsideração da retirada das famílias.
Autor: RDNews