Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Menor município de Mato Grosso fica na região Araguaia e no centro de cratera milenar




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Na entrada da menor cidade de Mato Grosso, a 470 km de Cuiabá, a placa de boas-vindas foi alterada pelo vento. Os dizeres que anunciam o nome do município estão quase ilegíveis, no metal contorcido pelo vento. Com certo esforço, é possível ler: “Sejam bem-vindos à cidade do Domo de Araguainha”.

Nossa reportagem foi ao município para conhecer as histórias e como vivem os moradores  do menor município de Mato Grosso e terceiro com menos habitantes em todo o Brasil. Para chegar à cidade, é preciso passar pela BR-364 e transitar por 58 quilômetros da MT-100, dos quais apenas 40 km asfaltados – outros 18 estão incompletos, porque a empresa responsável alegou atraso em repasses do Estado e, posteriormente, entrou em recuperação judicial.

Conforme estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, deste ano, Araguainha só tem 956 habitantes. Na pacata cidade, o grande atrativo é uma cratera de impacto causada por um asteroide que atingiu a região há, aproximadamente, 254 milhões de anos. A cidade está localizada no centro da cicatriz da colisão, que possui 40 quilômetros de diâmetro e abriga parte de outros municípios de Mato Grosso e Goiás. É o maior impacto causado por um meteorito em toda a América do Sul.

Mesmo com os milhares de anos que se passaram, Araguainha ainda guarda resquícios da colisão do asteroide. Na cidade e em outras regiões que estão dentro da cratera, é comum encontrar rochas que possuem aspectos diferentes, pois, segundo estudiosos, elas preservam a deformação causada pelo impacto do meteorito.

Na cidade, moradores colecionam lendas sobre a queda do asteroide e reclamam da falta de relevância dada ao fato. “Poderíamos ter mais turistas visitando nossa cidade e também mais estudos feitos aqui, se não fosse algo tão pouco divulgado. O Poder Público, nem mesmo a Prefeitura daqui, dá importância para isso”, disse uma moradora da cidade, que conversou com a reportagem e pediu para não ser identificada.

A colisão - O asteroide – ou meteorito – atingiu a região no período Triássico, de 250 a 205 milhões de anos atrás, o primeiro da era Mesozóica, que marcou o início da vida na Terra. Na época, todos os continentes estavam agrupados em um só, denominado Pangeia, que era circundado pelo oceano Phantalassa, que atualmente se tornou o Pacífico.

Conforme estudiosos, a região atingida pelo asteroide era considerada uma plataforma marítima continental, ou seja, um mar relativamente raso e com sedimentos depositados em seu interior. A região está localizada na Bacia Sedimentar do Paraná.

Certa vez, uma massa rochosa de pouco mais de 1,7 quilômetros, o asteroide, veio do espaço e atingiu a área em que hoje estão localizadas as cidades mato-grossenses de Araguainha – na área central do impacto –  e Ponte Branca – na borda da cratera. O meteorito acertou também parte de Alto Araguaia (MT) e das cidades de Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia, as três em Goiás.

O corpo celeste atingiu a terra em uma velocidade de 15 a 18 quilômetros por segundo. Em comparativo, conforme especialistas, foi uma velocidade maior que a de uma bala de canhão.

“É uma rocha com tamanho razoável e uma velocidade muito alta. Isso faz com que a energia produzida pelo impacto forme uma cratera muito grande. Por ser um asteroide muito grande, ele se chocou, praticamente, sem ser freado pela atmosfera, que consegue alterar apenas corpos menores”, explica Alvaro Crósta, professor titular de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e estudioso sobre a cratera de Araguainha há mais de quatro décadas.

Na época, começavam a surgir os primeiros anfíbios e répteis no planeta. “Já havia tubarão, por exemplo. São formas de vida muito antigas, então todos esses que viviam na região em que hoje está a cratera, certamente foram afetados pelo impacto”, explica Crósta


Autor: AMZ Noticias com RDNews


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