A Diretoria de Assistência Biopsicossocial da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) vem realizando um mutirão de atendimento médico e odontológico, vacinação e teste de HIV e sífilis nos presídios da Região Metropolitana de Belém (RMB), desde o mês de junho.
Na quarta-feira (14), a ação ocorreu no Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III (CRPP III), localizado no Complexo de Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém. Foram três dias de atendimento, que beneficiaram mais de 100 presos.
Até o momento foram realizados 60 testes de HIV e 75 de sífilis; 60 internos receberam atendimento médico; 46 realizaram procedimentos odontológicos e mais de 160 vacinas contra gripe e tríplice viral foram aplicadas. A meta - realizar em média 30 atendimentos por dia - foi cumprida. Atualmente, 614 internos cumprem pena no CRPP III, presídio considerado de segurança máxima no Pará.
A enfermeira Mônica Nunes ressaltou a importância dos testes rápidos no mutirão. "No dia a dia o atendimento à população prisional é mais básico. O médico vem à unidade prisional somente uma vez na semana. Com o mutirão nós conseguimos adiantar muitos atendimentos e procedimentos. Inclusive ontem tivemos quatro internos diagnosticados com sífilis nos testes rápidos, que já vão iniciar o tratamento com antibióticos", informou.
Para a realização do mutirão de saúde prisional uma série de medidas foram adotadas, além de todo o planejamento de logística. "Fazer um mutirão na casa penal é complicado. Nós nos esforçamos muito para não alterar nada na segurança da unidade. Além dos servidores do plantão, solicitamos apoio extra de servidores para os três dias de ação. No total, temos quase 30 profissionais envolvidos no mutirão de saúde. Ainda este ano esperamos realizar um mutirão também para a retirada de documentos", adiantou Isabele Andrade, chefe do Atendimento Biopsicossocial do CRPP III.
Sensibilização - Além do atendimento médico, uma equipe de psicólogos e assistentes sociais participa do mutirão fazendo o acolhimento dos presos. "Estamos sensibilizando eles a participar do mutirão, e verificando a questão da documentação para retirar o cartão SUS (Sistema Único de Saúde), pois quando os detentos precisam ser encaminhados para consultas especializadas na rede pública de saúde nós só conseguimos agendar o atendimento com esse documento", disse a psicóloga Antonieta Faro.
Para o dentista Edemar Maués, a prevenção é fundamental no cárcere. "O dentista vê o paciente como um todo. Nesse mutirão, como temos uma equipe multidisciplinar, podemos analisar se um paciente que tosse muito ou tem falta de ar, por exemplo, não precisa de uma avaliação melhor por um especialista. A tuberculose é uma doença muito comum no sistema penal, que às vezes não é diagnosticada de forma precoce porque o detento pensa se tratar de uma simples gripe", explicou.
Acompanhamento - "Como as consultas médicas ocorrem semanalmente e a população carcerária é muito grande, nem todos conseguem atendimento. Nos mutirões a gente tenta atender o máximo possível de pacientes, principalmente aqueles que fazem tratamento contra a tuberculose. É importante supervisionarmos e verificarmos se o detento está fazendo o acompanhamento correto, com o uso das medicações e cuidando da saúde, conforme orientação médica", informou o médico Diego Rodrigues.
Outro mutirão está programado para a próxima semana, no Centro de Detenção Provisória de Icoaraci (distrito de Belém). Desde junho, os mutirões de saúde e cidadania realizados pela Susipe já atenderam mais de 700 internos do sistema penitenciário paraense.
Autor: AMZ Noticias com Timoteo Lopes