Sexta-Feira, 17 de Abril de 2026

Funai anunciou que oito fazendas desocupadas na terra indígena de Marãiwatsédé/ Suia Missu




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Oito fazendas localizadas na terra indígena de Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista (distante 1.064 quilômetros de Cuiabá), receberam as ordens de despejo nos três primeiros dias de desintrusão da área. A Fundação Nacional do Índio (Funai), spera concluir neste sábado (15) a primeira etapa dos trabalhos.

Segundo a autarquia, quatro propriedades já estavam abandonadas. Os moradores das demais receberam prazo de 24 horas para desocuparem os imóveis.

Na segunda fase da desintrusão, as tropas da Força Nacional de Segurança e Polícia Federal se concentrarão nas fazendas de médio e pequeno porte. Os locais de atuação, no entanto, não têm sido divulgados com antecedência.

A falta de informação deixa o clima tenso entre os moradores, mas também tem evitado conflitos como o que ocorreu no primeiro dia de desocupação, quando posseiros entraram em confronto com os soldados. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas na ocasião.

Boatos de ameaças a autoridades, no entanto, continuam rondando a região. A Polícia Federal investiga supostas ameaças a membros da força-tarefa e aos moradores que demonstram interesse em sair voluntariamente da reserva.

O distrito de Posto da Mata, considerado a área mais urbanizada dos 165 mil hectares alvo de litígio, se tornou ponto de concentração dos não-índios. Segundo um produtor que vive no local, as pessoas passam o dia à espera de informações sobre onde as tropas estão.

No centro do conflito, os índios que residem na aldeia liderada pelo cacique Damião Paridzané estão ainda mais isolados. A única forma de comunicação do grupo é um telefone público, mas o aparelho está quebrado.

A situação preocupa o coordenador regional do Conselho Indígena Missionário (CIMI), Gilberto Vieira, que não tem notícias do grupo. Ele afirma que há alguns dias, os acessos à aldeia estavam restritos, o que impedia a saída dos índios.

“Sabemos que eles vivem numa área bem menor do que o normal e que enfrentam problemas com a plantação por causa disso. Mas diante do tamanho da operação, é de esperar que o governo Federal tenha se preparado para levar alimentos e assistência a eles”, diz.

Conforme a Funai, 455 proprietários de imóveis foram notificados sobre a desocupação da reserva. Deste total, 157 procuraram o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) demonstrando interesse em serem assentados em outros locais. Apenas 80 destas famílias, contudo, se encaixou no perfil do programa do governo federal.

Embora algumas pessoas já estejam se retirando da área, a autarquia ainda trabalha nas etapas que antecedem a acomodação delas. A maioria será levada para o assentamento Santa Rita, localizado em Ribeirão Cascalheira.

Para as que não puderem ser beneficiadas, o Incra avalia a possibilidade de criação de um assentamento para-rural: uma espécie de vila a ser construída numa área mais próxima à zona urbana de Alto Boa Vista ou São Félix do Araguaia. O programa, no entanto, não foi confirmado.


Autor: Diário de Cuiabá


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