Ainda maior. Assim pode se resumir o faturamento da safra 2018/19, em Mato Grosso. O Estado que é o maior produtor de grãos e fibra do país - desde o início dos anos 2000 - será também o maior em receita, liderando o ranking nacional com projeção de fechar o ciclo atual com Valor Bruto da Produção (VBP) em R$ 93,15 bilhões, cifras que superam o recorde registrado no ano passado.
Ontem, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou mais uma projeção para receita no campo, mensurada pelo indicador VBP. Com os dados referentes ao comportamento do mercado de junho, a atualização das estimativas trouxe dados praticamente consolidados e que vão confirmando um novo recorde ao Estado. A receita estimada supera em 5,68% o registrado no ano passado, R$ 88,74 bilhões, e, é superior ao projetado no mês anterior, R$ 92,94 bilhões. Mais uma vez, o algodão é o fiel da balança, alicerçando o novo recorde.
Fora o peso de mais um resultado histórico – superando São Paulo pelo segundo ano seguido - Mato Grosso estará participando com 16% de tudo que o País faturar, o que segundo o coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques, está estimado em R$ 602 bilhões. O VBP reflete a renda gerada da porteira para dentro das propriedades, levando em consideração os volumes produzidos e os preços médios de mercado para cada cultura/atividade. A alta, como ele explica, é motivada por uma sucessão de fatores positivos e que envolvem preços de mercado, produção e produtividade. Além disso, as duas commodities são de grande escala no Estado {algodão e milho} e absorveram essas variações positivas.
São Paulo, que sempre esteve na dianteira do indicador, tem projeção de fechar o ano com VBP em R$ 74,41 bilhões, R$ 18,74 bilhões a menos em relação a Mato Grosso. Dos mais de R$ 93 bilhões previstos, R$ 75,29 bilhões virão da receita gerada pela agricultura, o que responde por mais de 80% do VBP global e outros R$ 17,86 bilhões gerados pelas atividades que compõe a pecuária. Ambas as receitas – agricultura e pecuária – se confirmadas, serão também recorde dentro da série histórica do Ministério para Mato Grosso e fecham o ciclo com ganhos ante o ano passado.
Entre as culturas, o maior avanço em cifras segue com o algodão. A receita estimada é recorde, R$ 26,17 bilhões ante – o então histórico - R$ 22,37 bilhões. Milho é a outra cultura com recorde de faturamento, R$ 11,07 bilhões ante R$ 9,54 bilhões. A cana-de-açúcar também exibe expansão ante 2018. Tem projeção de R$ 2,03 bilhões contra R$ 1,92 bilhão.
Por volume, a soja – mesmo sendo a única cultura de peso no agro estadual a retrair na comparação anual – se revela importante com receita praticamente consolidada de R$ 34,32 bilhões. No ano passado havia atingido o recorde de R$ 37,68 bilhões.
PASTOS E GRANJAS - Na atividade pecuária, das cinco atividades monitoradas – bovinocultura, avicultura, suinocultura, produção de leite e de ovos - apenas uma – ovos – tem projeção de recuo ante o realizado em 2018. Conforme o Ministério, o volume gerado deve somar R$ 593,21 milhões ante R$ 620,82 milhões. Na bovinocultura, a renda esperada para esse ano deverá ser recorde, se ela se confirmar em R$ 13,35 bilhões. No ano passado foram R$ 11,84 bilhões.
Na suinocultura, a receita desse ano deve superar a anterior: de R$ 828,32 milhões para R$ 894,19 milhões. Na avicultura, a projeção indica faturamento de R$ 2,44 bilhões ante o anterior de R$ 2,14 bilhões. A produção de leite deve somar R$ 576,21 milhões contra R$ 523,10 milhões do ano passado.
BRASIL - O VBP estimado para 2019, com base nas informações de junho, é de R$ 602,8 bilhões, com acréscimo real de 1,1 % em relação a 2018. A pecuária teve acréscimo de 4,36% em relação ao ano passado e a lavoura ligeira queda (-0,45%). O faturamento é de R$ 398,8 bilhões nas lavouras e de R$ 204,0 bilhões na pecuária.
“Um grupo grande de produtos vem tendo resultados melhores do que no ano passado”, observa o coordenador geral de Avaliação de Políticas e Informação, José Gasques. Destacam-se algodão, 17,2 % de aumento, amendoim, 15,7 %, banana, 21,6 %, batata inglesa, 119,2 %, feijão, 72,9 %, laranja, 11,5 %, mamona, 34,3 %, milho, 18,8 %, tomate, 20,4 %, e trigo, 13,6 %. No grupo, chama atenção o algodão. A Conab em seu Boletim deste mês destaca que os agricultores, diante de boas cotações da pluma, investiram nesta safra, ocorrendo incremento recorde na área plantada, de 36,2 %.
Bons resultados vêm ocorrendo em carne bovina, suína e frango, destaca o coordenador. “Essa melhoria deve-se especialmente ao mercado internacional favorável às carnes nos últimos 12 meses”, observou, citando como fonte o (Mapa/Agrostat 2019).
Os desempenhos desfavoráveis vêm ocorrendo com arroz (-6,1%), café (-24,1%), cana de açúcar (-8,2 %), mandioca (-9,4%), soja (-13,4%) e uva (-6,6 %). Essas representam 67% do valor da produção das lavouras. Nos últimos 10 anos, a área cultivada de arroz foi reduzida em aproximadamente 38%, sobretudo em áreas de sequeiro. Mas houve forte salto de produtividade, estimado pela Conab em 95% entre 2001 e 2018. Na pecuária, leite e ovos também têm apresentado valor da produção abaixo do ocorrido no ano passado.
Nesta safra, alguns produtos vêm obtendo acentuados aumentos de preços reais. Pode-se observar na banana, 18 %, batata inglesa, 117%, feijão, 70% tomate, 27,2 % e carne de frango, 14,1 %. Os resultados regionais mostram, como em relatórios anteriores, que o Centro-Oeste lidera o VBP nacional com estimativa de R$ 174 bilhões, Sul R$ 150,6 bilhões, Sudeste R$ 144,9 bilhões, Nordeste R$ 57,7 bilhões e Norte R$ 36,7 bilhões.
Autor: Mariana Peres com Diário de Cuiabá