Em sua passagem por Brasília em audiências públicas para buscar obras de infraestrutura em Mato Grosso, o governador Silval Barbosa (PMDB) e auxiliares tiveram que ouvir críticas sobre “desmando e incompetência” na construção das obras da Copa em Cuiabá.
Em discurso, o senador Pedro Taques (PDT) mostrou-se preocupado nesta terça-feira com o ritmo das obras. Ele teve aparte do senador Jayme Campos (DEM), que também criticou a forma como o governo conduz a realização das obras. A base do discurso do senador Pedro Taques foi o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), divulgado na segunda-feira. O secretário estadual da Secopa, Maurício Guimarães, recebeu o relatório com normalidade.
“O tribunal vem apontando superfaturamento. Não temos que ser penalizados com desmandos e incompetência administrativa”, critica Jayme. Taques e Jayme destacaram a importância do ex-governador e senador Blairo Maggi (PR) na articulação para Cuiabá ser cidade-sede da Copa 2014.
“Cada mês de atraso é um mês a mais e o preço mais que os mato-grossenses pagarão com impostos”, discursa Taques. “Não são problemas de recursos, estão todos à disposição. É saber fazer, é incompetência de quem está tocando obras”, argumenta.
“O que está ocorendo de atrraso não é normal. Pode ser outra coisa, pode ser incompetência, mas normal não é”, defende. Ele afirma que governo não pode envergonhar população com obras da Copa.
“A obra da Arena Pantanal precisará andar 3 vezes mais rápido para ser entregue no prazo combinado com a Fifa”, repete manchete de segunda-feira do HiperNotícias. “O contrato da Arena foi modificado para excluir parte essencial para fase da obra ser recontratada”.
Taques se utilizou dos jargões do linguajar cuiabano “atarantados, ressabiados” para expressaer a perplexidade com que ele e a população enxergam o andamento das obras da Copa, como trincheiras, a Arena Pantanal e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
“A Secopa tem pintado um quadro de normalidade. Mas o TCE tem anunciado um quadro devastador, batendo de frente com o ‘staff’ governamental”, cobra.
“Senador Pedro Taques, o senho foi no cerne da questão, que é o planejamento. As obrastem causado transtorno. Fico perplexo quando vejo que o governo teve todo tempo para fazer planejamento das obras e não fez”, concorda Jayme.
Taques sugeriu que o Conselho de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-MT), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e outros movimentos da sociedade civil possam fiscalizar mais as obras.
VIAS TRAVADAS
De acordo com o senador do PDT, o povo de Mato Grosso decidiu suportar o “inevitável transtorno” das vias públicas para concluir a obra. Mas, ele cita que os cuiabanos não sabem como voltar para casa quando saem para trabalhar, porque não há sinalização.
“O que agrava a situação hoje, é o descaso na realização das obras. Hoje, os cuiabanos e varzeagrandenses não sabem como voltar para casa. Porque senador Jayme, cada dia há corte em vias”, aponta.
“O cidadão não sabe onde a interrupção é feita. Não se tem sequer divulgação clara de rotas das obras que estão sendo erguidas. O mínimo que se espera é que essa intervenção seja pensada”, cobra.
CUSTOS
Taques chamou a atenção para o nível de endividamento do Estado com obras da Copa, o que compromete investimentos futuros de Mato Grosso para outras obras, como educação e saúde.
“As 24 obras citadas no relatório, consumem R$ 954 milhões só para este ano. Para financiar, o Estado tomou R$ 1,5 bilhão de empréstimos, cujo pagamento ao longo dos próximos anos vai pesar muito na capacidade do Estado contrair empréstimos”, compara Taques.
O senador Pedro Taques ainda ressalvou que a “Secopa reconhece que existe algum atraso, mas não sabe explicar de quanto, e diz que vai terminar obras no praazo, mas não sabe como vai fazer isso”.
Autor: Hipernoticias