O Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/ MT), desembargador Gilberto Giraldelli, alertou para a quantidade de eleitores em Mato Grosso que estão com os títulos cancelados e que não poderão votar em 2020 caso não regularizem a situação.
Dos 2.730.766 eleitores mato-grossenses, 572.887 estão com os títulos cancelados. Isso significa que 20,9% poderão deixar de votar no pleito eleitoral deste ano.
Os dados apresentados pelo TRE mostram que 28,8% dos eleitores da Capital deixaram de fazer biometria e/ou não votaram e nem justificaram a ausência nas ultimas eleições. Na cidade vizinha, o número de títulos cancelados representa 29.9% dos eleitores varzea-grandenses. Cuiabá possui hoje 504,993 mil eleitores e Várzea Grande 218,271 mil.
Giraldelli lembra que os eleitores que não participaram da biometria terão até o dia 5 de maio para regularizarem a situação eleitoral. “A legislação eleitoral diz que o fechamento do cadastro dos eleitores tem que ser em 151 dias antes das eleições, ou seja, 5 meses e 1 dia, que é para que o TSE tenha tempo para fazer a lista de votação, a distribuição e a lei resguarda esse prazo”, explica.
O desembargador lembra que parte desses eleitores que não regularizaram a situação eleitoral são pessoas que não têm interesse em votar, outros que não são mais obrigados por conta da idade e os que estão descrentes com a política do país.
“A abstenção está acontecendo muito em função do próprio eleitorado que está, de certa maneira, indignado com o que vem ocorrendo, com a crise política, escândalos e tudo mais. Mas a impressão que tenho é que essa abstenção poderá diminuir com a biometria, porque quando fazemos a revisão do eleitorado a gente se aproxima muito do número de eleitores com a realidade. Então estará regular aquele eleitor que comparece mesmo. Qem vai sair é quem não tem mais interesse em votar. Assim chegaremos mais próximo da realidade”, avaliou.
Desinteresse - Para o analista político, professor João Edisom, a abstenção da população em relação às eleições é uma tendência que vem ocorrendo no mundo inteiro nas últimas duas décadas. Entre os motivos para o desinteresse eleitoral estaria no fato de que a população começou a analisar a importância do político na sua vida.
Somado a isso, as multas e penalidades para quem deixa de votar não impactam e nem trazem problemas para quem prefere a abstenção. Edisom também acredita que a polarização política no Brasil tem causado um certo “enojamento” do processo eleitoral.
O analista também acredita que houve um desgaste das ferramentas da democracia no país e no mundo. “Hoje tem muita gente que se questiona até que ponto o voto é importante para democracia. E isso vem crescendo”, lembra.
João Edisom também afirma que a classe política não tem dado a atenção para essa quantidade de pessoas que preferem se abster do processo. Para ele os políticos e os partidos insistem em manter o processo eleitoral e de democracia atual, do que buscar outros mecanismos democráticos e de participação eleitoral.
Biometria - O presidente do TRE também apresentou os dados atualizados da biometria em Mato Grosso. Dos 141 municípios, 87 já estão aptos a votarem pelo sistema biométrico. Já 44 cidades ainda não realizaram o racadastramento via biometria. Outras 10 cidades estão em cadastramento ordinário, ou seja, deverão ter votações híbridas - eleitores com biometria e outros sem.
A previsão da Justiça Eleitoral do estado era de que os 141 municípios pudessem ter finalizado o cadastramento biométrico, porém, com a eleição suplementar para o Senado, a finalização do processo de biometria deverá ficar para o início de 2021.
Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital