Os 33 municípios pertencentes a região do Araguaia, no Mato Grosso, com cerca de 375 mil habitantes, irão receber aproximadamente R$ 123 milhões do Governo Federal, para amenizar a queda de receitas por causa no novo coronavírus.
A verba deverá ser aplicada em ações de enfrentamento ao covid-19 e na mitigação dos efeitos financeiros da pandemia. Parte desses recursos também será utilizado para o pagamento de profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
No Araguaia, dos quatro municípios polos de saúde, Barra do Garças receberá o maior valor, que será de aproximadamente R$ 20 milhões. Confresa ganhará R$ 10,2 milhões, Água Boa, R$ 8,5 milhões e São Félix do Araguaia embolsará R$ 3,9 milhões. A região tem apenas 20 leitos UTIs, sendo 10 do município de Barra do Garças e outro tanto da cooperativa médica Unimed, na mesma cidade, que além da demanda local e dos municípios mato-grossenses em seu eixo de influência, também atende a vizinha goiana Aragarças, com população de 20 mil habitantes – Aragarças, Barra e Pontal do Araguaia formam uma conurbação.
Em Barra, o prefeito Beto Farias (MDB), determinou que a estrutura do antigo Hospital MedBarra, desativado, na região central da cidade, seja transformado em hospital de campanha para atendimento a eventuais casos de coronavírus. O hospital pertence a um grupo de médicos cooperados da Unimed, tem 52 leitos e fechou as portas com a recente construção de uma nova estrutura. As UTIs públicas em Barra estão em funcionamento no Hospital Municipal Milton Pessoa Morbeck, onde permanecem sempre com pacientes.
A carência de UTIs preocupa políticos, médicos e a população de modo geral. Em Água Boa funciona o Hospital Regional Paulo Alemão, que atende o polo vizinho àquele município, mas o mesmo não tem UTI. Nas outras grandes cidades da região, UTI não passa de sonho. É assim em Confresa, Vila Rica e Nova Xavantina. No Araguaia a saúde vai aos trancos e barrancos. Em Confresa a referência é o hospital municipal, que tem apenas sete respiradores mecânicos, conforme revela o prefeito e médico Rônio Condão (PSDB).
Em São Félix do Araguaia a prefeita Janailza Taveira (SD) inaugurou no final de 2019 o Hospital Municipal Prefeito João Abeu Luz, com 40 leitos e cinco respiradores. Essa unidade hospitalar funciona como se fosse um hospital híbrido, meio municipal e meio estadual, pois é referência aos municípios de Alto Boa Vista e Luciara, que integram o Consórcio de Saúde do Araguaia (CISA).
De acordo com a última atualização da Secretaria Estadual de Saúde (SES), no Araguaia há 15 casos confirmados, sendo (4) em Barra do Garças, (05) em Confresa, (3) em Querência, (2) em Canarana e (1) em Pontal do Araguaia. Dos municípios com casos confirmados, Canarana receberá pouco mais de R$ 8 milhões, Pontal do Araguaia R$ 2,2 milhões e Querência R$ 5,8 milhões.
A precariedade da Saúde Pública na região e seu distanciamento de Cuiabá cria alguns cenários que em muitos casos mascaram números estatísticos da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Isso, porque alguns municípios buscam atendimento em Palmas (TO), como acontece com Vila Rica, Santa Terezinha, Santa Cruz do Xingu, Confresa e São José do Xingu; ou em Goiânia, como acontece com Cocalinho, Alto Araguaia, Alto Taquari. Araguainha e outros.
Nas pequenas cidades do Araguaia é comum a visita periódica de médicos moradores em outras localidades para o chamado turismo profissional de saúde. Cartazes em bares, padarias, postos de combustíveis e farmácia anunciam data e horário do atendimento do Dr. Fulano de Tal, clínico geral ou especialista. A visita dos médicos é real, mas em número reduzido. O médico que mais atende à região é o Dr. Ambulância, que leva pacientes a hospitais em Cuiabá, Goiânia ou Palmas.
Na tabela do Programa Federativo de Enfrentamento ao coronavírus, que foi definida na última quinta-feira (30), o estado receberá R$ 1,1 bilhão e Cuiabá com aproximadamente 613 mil habitantes vai "abocanhar" a maior fatia, de pouco mais de R$ 200 milhões.
Serão R$ 60 bilhões para todo país, R$ 10 bilhões exclusivos para aplicação em saúde. O restante será livre para aplicação: R$ 25 bilhões para estados e R$ 25 bilhões para municípios. O critério de divisão leva em conta fatores como queda do ICMS, população e cota de participação no Fundo de Participação de Estados e Municípios.
Autor: AMZ Noticias com Semana7