No reverso da medalha das prefeituras de Mato Grosso em situação de quase penúria, há também as prefeituras que, se não sobram dinheiro, pelo menos se encontram organizadas. A situação é mais comum em municípios com economia baseada no agronegócio. Ao contrário das sofríveis contas de Cáceres e Várzea Grande.
É o caso, por exemplo, da Prefeitura de Lucas do Rio Verde. “Temos 1.250 servidores que consomem 37% das receitas líquidas, o que nos permite planejar investimentos”, explica o prefeito Otaviano Pivetta (PDT), ao citar com orgulho que é o único município de Mato Grosso que não possui escola privada.
Com R$ 120 milhões de Orçamento em 2013, quase 25% é para investimento – fato raro no país. Os servidores de Lucas estão entre os 50 mais bem pagos do Brasil, em comparativos municipais.
SORRISO
Com o título de Capital Nacional do Agronegócio, ao lado de Lucas, está Sorriso. O prefeito Dilceu Rossato (PR) revela que a única dor-de-cabeça já foi vencida: a regularização no atendimento da rede básica de saúde.
“Muita gente duvidou. Mas, em menos de 30 dias, colocamos a saúde para funcionar e, agora, são apenas ajustes”, afirma ele.
Dilceu Rossato disse que a prefeitura possui 2,8 mil servidores e gasta 42% das receitas líquidas com folha de pagamento.
Dos R$ 168 milhões na LOA de 2013, mais de 20% são destinados a investimentos, com prioridade para novas escolas e saúde de média complexidade.
Dos pequenos municípios, um dos exemplos de estabilidade é Alto Taquari, cuja economia também ancorada no agronegócio. O prefeito Maurício Joel Sá (DEM) conseguiu reduzir os servidores para menos de 300, responsável pelo atendimento de aproximadamente 10 mil habitantes. A folha de pagamento consome 42% das receitas correntes.
Graças a isso, Joel Sá construiu o Hospital Municipal de Alto Taquari, administrado pela Fundação de Saúde (Funsat), em parceria do a Saúde Unimed.
É um caso ímpar, em Mato Grosso, por ser considerado o hospital mais moderno da região, incluindo as cidades vizinhas de Goiás e Mato Grosso do Sul.
No curto prazo, a tendência é de pressão cada vez maior sobre os municípios. A projeção partiu do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado José Riva (PSD), defensor de uma redistribuição de renda entre os municípios.
“Sem a revisão no Pacto Federativo e uma redistribuição tributária com um mínimo de justiça fiscal, os municípios continuarão de pires nas mãos”, avalia Riva.
Autor: Hipernoticias