Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Líder estudantil mora irregularmente em casa alugada pela UFMT




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Apesar de ter concluído o curso de Geologia em 2011, o mestrando em Geociências Kaiubi Kuhn (23), o principal mentor da manifestação estudantil desastrosa que terminou em confronto com a Polícia Militar na última quarta-feira (6), aparentemente, reside irregularmente em uma das moradias alugadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Um estudante que reside na nova CEU informou ao site/blogue HojeNews que Kuhn já concluiu a graduação e, portanto, perdeu o direto de morar em casas universitárias. Como mestrando ele recebe uma bolsa mensal no valor de R$ 1,3 mil a título de ajuda de custo. No entanto, o agora ex-aluno ocupa uma vaga na rua 13 do Boa Esperança, em Cuiabá.

Desta forma, Kuhn estaria tirando a vaga de um aluno carente e que necessita de moradia gratuita. No total, além da Casa do Estudante Universitário (CEU), a UFMT aluga quatro casas no bairro Boa Esperança e uma no Jardim Itália. A CEU é destinada exclusivamente aos alunos regularmente matriculados nos cursos de graduação da universidade.

A reitoria da UFMT comunicou aos estudantes que cinco das seis unidades da CEU serão desativadas. A administração alega ter espaço suficiente no alojamento, que fica dentro do campus, e que os acadêmicos que optarem por não morar no Campus, podem requerer uma das bolsas de auxílio da universidade.

Todas as moradias, segundo a fonte da UFMT, deveriam ser ocupadas por estudantes graduandos. No entanto, um grande número de ex-universitários ocupa as casas irregularmente. Muitos desses moradores já se formaram, mas não querem sair, como é o caso do Kaiubi.

“Tem uma casa, a da rua Milano, que é a mais problemática, com alunos irregulares e gente morando e que nem aluno é. Eis o motivo pelo qual a reitoria quer acabar com esses alugueis e trazer todos para o CEU ou oferecer auxílio moradia de R$ 400 mais auxílio alimentação de R$ 100”, explica.

Um dos motivos do protesto para a nova casa universitária – que custou mais de R$ 3 milhões aos cofres da UFMT – são as regalias e os confortos existentes nas moradias alugadas. “O que alguns daqueles alunos não querem é deixar a piscina, o ar condicionado, as festas quase diárias e a putaria que acontece nessas casas. E aqui [dentro do CEU] não tem isso”, alerta a fonte.

A fonte acrescenta que o novo CEU é uma residência “muito boa, uma ótima estrutura. Temos uma sala com mais de 20 computadores novos e com ar condicionado, uma sala de televisão, quartos e tudo mais”. E acrescenta: “os mestrandos recebem bolsas de R$ 1,3 mil e não podem ficar aqui ocupando espaço de graduandos. No entanto, ele insiste em ficar lá para manter o controle político e usar os demais estudantes como massa de manobra”.

O estudante que não aceitar morar no campus universitário, conforme a reitora, pode solicitar o auxílio moradia de R$ 400 mais o auxílio alimentação de R$ 100, o que soma R$ 500 mensais. Se um grupo de cinco colegas, por exemplo, reunir esse valor, terá até R$ 2.500 para alugar uma casa muito confortável.

No entanto, segundo a fonte, que é estudante na UFMT, a questão ultrapassa os limites dos interesses pelas moradias e que a ação contra a polícia pode ter sido planejada para criar fatos junto à imprensa.

Outra realidade é a de que um grupo de manifestantes ligados partidos políticos de esquerda querem desestabilizar a gestão da reitora Maria Lúcia Cavalli Neder. “No fundo é politicagem. O Kaiubi é ligado ao PDT e eles não gostam da reitora porque ela é próxima do governador [Silval Barbosa – PMDB]”, revela.

Os manifestantes também estão divididos sobre a pauta de reivindicações. “Está havendo uma divisão evidente. Essas pautas, o Kaiubi só quer defender as casas. Mas a maioria dos alunos quer aproveitar a força pra defender mais reivindicações, como a não construção de um restaurante privado dentro do campus da UFMT”.

A fonte da UFMT também contradiz a condição social de Kaiubi e alguns manifestantes que confrontaram a Rotam. “O Kaiubi espalha aqui na UFMT que é pobre, que os pais hippies e não querem trabalhar e bla bla bla... Mas ouvi pessoas dizendo que ele tem uma boa família lá em Chapada [dos Guimarães]. A Irma dele também ta aqui em Cuiabá”.

Ele também falou sobre a manifestante que teve a mão ferida por uma bala de borracha. “Bruna Matos, ela faz Agronomia, e é rica, mas ela ta falando que não tem condições. Claro que não justifica ela levar um tiro na mao, mas ela não é pobre do jeito que prega”.

A confirmação depende de consulta ao estatuto do sistema Casa do Estudante Universitário (CEU), ao qual a reportagem não teve acesso. Também não há qualquer informação sobre o assunto no site oficial da universidade, onde não é possível localizar qualquer referência à gratuidade de moradias para alunos carentes e quais são as regras e exigências que o candidato deve atender.

O CONFRONTO

O confronto entre a os policiais e os estudantes aconteceu na tarde de quarta-feira, no cruzamento entre a avenida Fernando Correa e a Rua 1 do Boa Esperança. O efetivo da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) tentou dispersar a manifestação de 50 manifestantes, quando três militares foram acuados por um grupo de estudantes armados com pedras e latinhas.

Os estudantes ‘fecharam’ a rua em protesto com decisão da reitoria da UFMT, que quer remanejar todos os alunos residentes na UFMT para a nova Casa do Estudante Universitário. Após o confronto, seis alunos foram presos, dois soldados e 10 manifestantes foram encaminhados para atendimento médico.

O mais exaltando foi justamente o ex-universitário Kaiubi Kuhn, que supostamente teria sido alvo de 14 tiros de borracha. Com ferimentos no peito e muito agressivo, acabou sendo levado para a detenção. Ele integra o grupo que não quer mudar para a nova casa universitária.


Autor: Sérgio Edison - Jornal da Noticia


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